Um grupo de investigadores do Nevada publicaram um artigo descrevendo aquele que será o primeiro caso confirmado de reinfeção pelo novo coronavírus nos Estados Unidos da América. O homem de 25 anos, residente no condado de Washoe daquele estado, foi infetado em duas ocasiões distintas, em abril e em final de maio, início de junho. Não tinha outros problemas de saúde conhecidos.

A segunda infeção foi confirmada depois de o doente ter dado entrada no hospital no início de junho com vários sintomas associados à Covid-19, como febre, dores de cabeça, tonturas, tosse e náuseas. Esta foi muito mais agressiva do que a primeira, confirmada durante uma testagem a nível comunitário em abril, tendo sido detetados níveis mais elevados de vírus no sistema do indivíduo, que teve de receber oxigénio.

Apesar de serem necessários outros estudos para compreender como é que a imunidade ao coronavírus funciona e qual a sua duração, as poucas segundas infeções que se conhecem parecem ser mais graves do que as primeiras. Além deste, foram confirmados até ao momento cinco casos de reinfeção na Bélgica, Países Baixos, Equador e Hong Kong, referiram os investigadores.

Confirmado primeiro caso de reinfeção por coronavírus em Hong-Kong

Mark Pandori, do laboratório estatal de saúde pública do Nevada, lembrou que o fenómeno é raro e que é importante que “esta descoberta em particular não providencie” a sua “generalização”. “Apesar de ser necessário investigar mais, a possibilidade de reinfeções pode ter implicações significativas na forma como entendemos a imunidade à Covid-19, especialmente na ausência de uma vacina eficaz”, apontou o autor principal de Genomic evidence for reinfection with SARS-CoV-2: a case study, publicado na revista The Lancet, citado pela Press Association.

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Além disso, “também sugere fortemente que os indivíduos que testaram positivo para o Sars-CoV-2 devem continuar a tomar precauções em relação ao vírus, mantendo o distanciamento social, usando máscara e lavando as mãos”.

No início de setembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou os casos de reinfeção pouco relevantes devido ao seu baixo número. Durante a habitual conferência em Genebra, na Suíça, a epidemiologista Maria Van Kerkhove apontou que “apenas houve uns poucos casos de reinfeção” entre os mais de 27,1 milhões de infetados em todo o mundo e que “até agora não foram muito relevantes”. “De qualquer maneira, continuamos a estudá-los em laboratórios de diferentes países”, apontou.