Um líder não identificado dos talibã, uma organização terrorista de inspiração islâmica sediada no Afeganistão, disse em entrevista à CBS que espera que Donald Trump ganhe as eleições para que este cumpra a sua promessa de retirar as tropas norte-americanas daquele país até ao final do ano.

“Esperamos que ele ganhe as eleições e acabe com a presença militar no Afeganistão”, disse esse líder talibã à CBS.

Este é um apoio que Donald Trump rejeita por completo. “Os talibã têm de saber que o Presidente irá sempre proteger os interesses americanos custe o que custar”, disse o porta-voz da campanha do Presidente, Tim Murtaugh.

Oficialmente e de viva voz, o discurso dos talibã é diferente — mas não muito. Embora não cheguem a dizer abertamente que querem uma vitória de Donald Trump, um porta-voz dos talibã saúda ainda assim esse cenário, que vê como provável.

“Acreditamos Trump vai ganhar as próximas eleições, porque ele tem provado ser um político que cumpre as principais promessas que fez ao povo americano, embora tenha falhado algumas coisas pequenas, mas conseguiu cumprir as maiores”, disse Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibã, também à CBS. “Por isso, é possível que o povo dos EUA, que tem passado por desilusões no passado, volte a confiar em Trump a favor das suas ações decisivas.”

Este apoio a Trump surge após o acordo que os Estados Unidos assinaram com os talibãs, depois de 18 anos de conflito, em fevereiro de 2020. O Presidente norte-americano decidiu retirar todas as tropas num prazo de 14 meses, desde que a organização islâmica consiga manter a promessa de que outros grupos armados não atentem contra os interesses norte-americanos e dos seus aliados.

Achamos que a maior parte do povo norte-americano está cansado da instabilidade, dos fracassos económicos e das mentiras dos políticos e que confiará de novo em Trump, porque Trump é capaz de decidir, pode controlar a situação dentro do país. Outros políticos, como [Joe] Biden lançam slogans irreais”, disse Zabibullah Mujahid, porta-voz talibã, à CBS.

Não há nenhuma menção, no acordo, que informe em que data é que os EUA vão retirar as tropas de território afegão, mas Donald Trump lançou um tweet, na passada quinta-feira, em que refere que a “pequena quantidade de homens e mulheres corajosos que estão no Afeganistão” devem estar em casa “pelo Natal”.

No entanto, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, Mark A. Milley, veio colocar um entrave ao calendário estipulado por Trump, dizendo, em entrevista à NPR, que o plano “tem condicionantes” e que espera ainda “discutir as condições e garantir que elas são cumpridas”.

O Afeganistão continua em guerra. Ainda no passado domingo, a província de Helmand foi palco de ataques por parte dos talibãs — ação que vai contra o acordo assinado com os EUA em fevereiro de 2020. O comandante das forças norte-americanas e da NATO no Afeganistão, o General Austin S. Miller, apelou a que os talibãs “parem imediatamente as suas ações ofensivas em Helmand e reduzam a violência em todo o país”.

Nota: Este texto foi atualizado e corrigido às 16h08 de 13 de outubro de 2020. Foi corrigida a atribuição da citação “Esperamos que ele ganhe as eleições e acabe com a presença militar no Afeganistão”, que inicialmente a CBS tinha atribuído ao porta-voz dos talibã. Na verdade, e como a CBS fez notar mais tarde, essa citação era de outra pessoa dos talibã, descrita como um “líder sénior”.