A farmacêutica norte-americana Eli Lilly suspendeu os testes clínicos para o tratamento para a Covid-19 que estava até aqui a desenvolver, depois de terem sido levantadas dúvidas quando à possibilidade de “potenciais problemas de segurança”.

Essa foi a expressão que, de acordo com o The New York Times, responsáveis do governo norte-americano utilizaram em trocas de correspondência com investigadores. Esta é, porém, uma decisão relativamente comum no desenvolvimento de vacinas e tratamentos — e que surge um mês depois de a Astrazeneca e um dia após a Johnson & Johnson terem feito o mesmo quando surgiram dúvidas sobre as vacinas que estão a desenvolver.

Esta decisão surge depois de a 7 de outubro Donald Trump ter falado da Eli Lilly, além da Regeneron, a empresa que produz o cocktail antivírico que o Presidente dos EUA tomou quando esteve internado com Covid-19.

“Temos a Regeneron, temos um medicamento muito semelhante da Eli Lilly, que vão ficar disponíveis. Estamos a tentar torná-las disponíveis através de uma medida de emergência. Eu autorizei-as”, disse Donald Trump, numa mensagem gravada na Casa Branca, pouco depois de ter tido alta.

Apesar de ter dito dessa vez que as autorizou, na verdade Donald Trump não chegou a fazê-lo — embora o The Washington Post tenha apurado que houve pressões do Presidente e da Casa Branca para garantir que a Food and Drug Administration, a entidade reguladora, permitisse a generalização daqueles dois tratamentos.

Donald Trump tem-se referido a ambos como uma “cura”. “Chamam-lhe terapias, mas para mim não foi uma terapia, simplesmente pôs-me melhor”, disse. “Para mim isso é uma cura”, acrescentou, dizendo que por agora esta abordagem é “mais importante do que uma vacina”.

A pausa nos testes clínicos, conhecidos por ACTIV-3, foi assumida pela própria Eli Lilly, com uma porta-voz da farmacêutica a dizer que esta decisão, tomada por uma equipa independente, foi tomada em espírito de cautela.

“Por uma questão de imensa cautela, a equipa independente de monitorização de dados da ACTIV3 recomendou uma pausa nos trabalhos”, disse a porta-voz Molly McCully. “A Lilly apoia desta decisão da equipa independente de monitorização de dados, no sentido de assegura cuidadosamente a segurança de todos os pacientes que participam neste estudo.”

Ainda não é conhecida a razão específica que levou à suspensão dos testes da Eli Lilly, nomeadamente se ela se deveu à possibilidade de algum dos pacientes a serem testados ter tido uma reação adversa — como aconteceu, de resto, com as vacinas da Astrazeneca e da Johnson & Johnson.