O Movimento do Protetorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT), que reclama autonomia do leste de Angola, desafia o Presidente angolano a abordar, no seu discurso sobre o Estado da Nação, a “luta pacífica de reivindicação da autonomia” da região.

O Presidente angolano, João Lourenço, fala nesta quinta-feira sobre o Estado da Nação marcando a abertura do ano parlamentar 2020-2021.

Em comunicado de imprensa enviado à Lusa, o MPPLT refere que a autonomia daquela região, que compreende as províncias do Moxico, Lunda Sul e Lunda Norte, “é um direito histórico divino e legítimo do povo tchokwe que o Presidente não deveria ignorar na sua alocução”.

O MPPLT, que reafirma ser um protetorado e não uma ex-colónia portuguesa, recorda que uma das promessas do PR angolano foi de “dar ouvido a todas as sensibilidades”, mas o que se assiste, sublinha, “são portas fechadas em torno de si”.

“Inviabilizando o debate sobre a questão, não há espaço para o diálogo e concertação no momento em que a reivindicação é ainda pacífica”, ao longo dos 14 anos de existência do movimento, lê-se no comunicado.

Para este movimento que defende a autonomia do leste de Angola, chegou a hora de o Presidente do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder deste 1975) e de Angola dizerem ao mundo e aos angolanos a verdade histórica do território Lunda.

Chegou a hora da verdade em que o Presidente (João Lourenço) deve falar ao povo (…) se não resolvermos, não dialogarmos com a Lunda, estamos a abrir uma brecha de um conflito pacífico para o violento”.

A Assembleia Nacional, parlamento angolano, é “o palco onde o Presidente ao discursar sobre a problemática da paz e da segurança ou da estabilidade política não deveria esquecer a questão da Lunda”.

Segundo o MPPLT, é necessário que o Presidente angolano fale publicamente sobre a questão da Lunda Tchokwe e proponha caminhos para a solução desta controvérsia.

Estamos preparados para dialogar com o Governo do MPLA a qualquer momento”.

Na parte final do comunicado, o movimento considera ainda que João Lourenço “não deveria ignorar por muito tempo o diálogo a manter a atual situação”.

Porque, observa, o povo Lunda Tchokwe “ver-se-á obrigado e forçado” a “anunciar e proclamar unilateralmente” o “Governo Independente da Lunda Tchokwe, criadas que estão as condições humanas, psicológicas e materiais para o efeito”.

As províncias da Lunda Sul e Lunda Norte, ambas do leste angolano, são as maiores produtoras de diamantes.

No sábado, o Presidente da República desloca-se à província da Lunda Sul para uma visita de trabalho.

Na sua página de Facebook, o MPPLT afirma que João Lourenço vai reunir com os Sobas (autoridades tradicionais) da Lunda Tchokwe “para os pressionar a desistir da ideia de um Estado Autónomo um direito legítimo”.

Além do MPPLT, as Forças de Libertação do Enclave de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC), norte de Angola, reclamam autonomia daquela região, separada fisicamente do território e abundante em petróleo.