Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia reúnem-se novamente em Bruxelas, entre esta quinta-feira e sexta-feira, para uma cimeira dedicada sobretudo ao Brexit, às relações com África e à pandemia da Covid-19.

Duas semanas depois de um Conselho Europeu dominado por assuntos de política externa — designadamente as tensões com a Turquia no Mediterrâneo Oriental e sanções à Bielorrússia -, os líderes europeus voltam a encontrar-se em Bruxelas para uma cimeira presencial, apesar do agravamento da situação epidemiológica da Covid-19 na Europa.

Vamos encontrar-nos num contexto difícil. Estamos a assistir a um aumento das infeções da Covid-19″, começa por admitir o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na carta-convite endereçada na terça-feira aos líderes dos 27.

A pandemia de Covid-19 é de resto uma das matérias em destaque na agenda deste Conselho Europeu, tendo Charles Michel precisado na carta que o assunto será discutido, na sexta-feira, sob duas vertentes: os líderes farão um ponto da situação dos esforços de coordenação ao nível comunitário no que respeita a medidas que restringem a livre circulação e, por outro lado, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, dará conta dos progressos no desenvolvimento de uma vacina.

A cimeira começará todavia, esta quinta-feira às 15:00 locais (16:00 de Lisboa), com uma discussão sobre as relações futuras com o Reino Unido, com a participação do negociador-chefe do lado europeu, Michel Barnier, e à luz do atual impasse nas negociações quando já resta muito pouco tempo para terminar o chamado período de transição, no final do ano, data em que os britânicos abandonam em definitivo a UE.

“É no interesse de ambas as partes ter um acordo em vigor antes do fim do período de transição. No entanto, isto não pode suceder a qualquer preço. Os próximos dias são decisivos”, escreveu Charles Michel, antecipando a discussão entre os 27.

No jantar de trabalho desta quinta-feira, o ‘menu’ contempla um debate de orientação sobre a forma de a UE atingir os seus objetivos climáticos, depois de, em dezembro passado, o Conselho Europeu se ter comprometido com a meta de a Europa atingir a neutralidade climática até 2050 e de a Comissão ter proposto um novo objetivo intercalar de uma redução de pelo menos 55% das emissões até 2030.

Na sexta-feira, os trabalhos são retomados com uma discussão estratégica sobre as relações da Europa com África, tendo em vista a futura reunião com os líderes da União Africana, seguindo-se outros assuntos prementes de política externa e o debate sobre a situação da pandemia da Covid-19.

Portugal estará representado no Conselho Europeu pelo primeiro-ministro, António Costa.