29 milhões de euros. É o valor que Pinto da Costa afirma que o Futebol Clube do Porto já perdeu em receitas de bancada desde que as autoridades de saúde impediram os adeptos de entrar nos estádios. Em entrevista à TVI, esta quinta-feira, o presidente do FC Porto confirmou também que as contas do clube (que ainda não foram apresentadas) têm um resultado líquido negativo, considerando que as vendas dos jogadores entraram este ano numa altura diferente do habitual, devido também à pandemia da Covid-19.

“É objetivo que vamos alcançar o objetivo do equilíbrio das contas. Quando se fala em falência técnica, isso só existe porque somos obrigados a apresentar as contas segundo certos parâmetros. O nosso plantel foi avaliado em 76 milhões de euros, nesta janela de transferências fizemos 126 milhões. É a demonstração de que os nossos ativos estão subvalorizados. Podia vender os jogadores todos e ter mais dinheiro. Vendemos dois bons jogadores e entraram outros bons jogadores, o que é preciso é ter equilíbrio”, justificou acrescentando que está “tranquilo” com a situação que, confia, lhe permitirá devolver o empréstimo obrigacionista (que foi adiado para o final de 2021) “antes do final do ano”.

“As contas foram fechadas a 30 de junho, como a época de transferências foi posterior o que realizámos não entra. Vai entrar nas próximas. Estou completamente tranquilo e convencido que brevemente sairemos do fair play financeiro”, afirmou Pinto da Costa acrescentando que espera “ainda este ano” que o clube possa sair do fair play financeiro.

Fair play financeiro nos 3 grandes? Condenados a vender

O facto de o clube ter sido afastado precocemente da Liga dos Campeões na última época causou um rombo nas contas do clube que, de acordo com Pinto da Costa, poderia ter sido ultrapassado com a venda de ativos — jogadores —, mas acrescenta o responsável foi opção do clube manter o plantel para procurar uma maior valorização dos jogadores para depois então os colocar vender no mercado de transferências.

Ainda sobre as restrições de acesso de público aos estádios, Pinto da Costa recordou os exemplos de salas de espetáculos que têm recebido iniciativas enquanto os estádios de futebol continuam sem adeptos nas bancadas e evidenciou o facto de “estar sozinho na luta” contra o que considera ser “incompreensível”. Pinto da Costa frisou ainda que tem tido apenas o apoio do presidente da liga e da federação na tentativa de recuperar algum público nos estádios.

“O FC Porto já pagou 20 milhões de euros em impostos desde que começou a pandemia”, afirma Pinto da Costa recordando o exemplo de Itália onde o país baixou os impostos do futebol para que os clubes conseguissem manter a viabilidade.

Sobre uma possível mudança de nome do Dragão para Estádio Jorge Nuno Pinto da Costa: o próprio rejeita. Pinto da Costa diz mesmo que quer ver o negócio da venda do nome do estádio fechado para que “os que defendem isso [dar o seu nome ao estádio] já não tenham essa possibilidade”. O negócio da venda do nome do estádio foi suspenso devido à pandemia e o valor estava por acertar entre os cinco ou seis milhões de euros por ano, segundo o presidente do FC Porto.

“Fez-me confusão o primeiro-ministro António Costa [na comissão de honra de Luís Filipe Vieira]”

Foi uma das polémicas que marcou a recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Sport Lisboa e Benfica, rival do FC Porto, e Pinto da Costa admite que lhe “fez confusão” ver um primeiro-ministro envolvido numa comissão de honra de alguém que “deve milhões ao banco que está a ir ao bolso de todos portugueses”.

“Se o cidadão António Costa não fosse primeiro-ministro e aparecesse ou não na comissão de honra, nenhum jornal o ia referir. O que apareceu foi o primeiro-ministro, não foi o cidadão. António Costa tem direito a ser sócio do Benfica, acionista da SAD, ninguém tem nada com isso. A mim chocou-me o primeiro-ministro estar na comissão de honra a apoiar um individuo que é reconhecido, vem nos jornais, e toda a gente diz que deve milhões ao banco, que está a ir aos bolsos de todos os portugueses”, disse Pinto da Costa.

“Fernando Gomes dava um secretário de Estado do Desporto excelente”, aponta Pinto da Costa

Depois de confirmar que “não gosta” do atual secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, Pinto da Costa atirou uma solução para o Governo: o atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes.

Fernando Gomes que já passou pelos quadros do Futebol Clube do Porto seria a uma “escolha excelente” do Executivo, considerou o presidente do FCP, no cargo há 42 anos e recentemente reeleito.

Sobre se continuará à frente dos destinos do clube no final do mandato, Pinto da Costa não esclareceu, depois de recordar que já por várias vezes disse que os mandatos eram os últimos e que não se recandidataria o que acabou sempre por quebrar. “Não vou dizer que é último mandado nem que não é o último. Mas se chegar ao fim do mandato e vir que não sou necessário, aí posso sair”, acabou por dizer.