Na quarta-feira, o mandatário de Luís Filipe Vieira, Carlos Móia, entregou a Virgílio Duque Vieira, líder da Mesa da Assembleia Geral após a saída de Luís Nazaré, a lista oficial que irá concorrer às eleições do Benfica no dia 30. No mesmo dia mas umas horas depois, João Noronha Lopes apresentou oficialmente os nomes que o acompanham no sufrágio dos encarnados. Esta sexta-feira aconteceu o mesmo mas ao contrário: umas horas depois da entrega da lista de João Noronha Lopes por parte do seu mandatário, Vítor Paneira, Luís Filipe Vieira anunciou em termos oficiais os nomes que o acompanham na corrida ao sexto mandato. Com confirmações, sem surpresas.

Luís Filipe Vieira suspende iniciativas de campanha eleitoral

Como o Observador tinha revelado no programa Tie Break da Rádio Observador, Rui Costa entra pela primeira vez nas listas aos órgãos sociais do clube (até agora tinha estado apenas como administrador da SAD), ficando como número 2 da Direção – mesmo não existindo essa figura “no papel”. E para quem tinha dúvidas sobre as razões que levaram a essa escolha, houve uma frase de Luís Filipe Vieira que dissipou essas interrogações: “Eu represento o presente, ele o futuro”. Ou seja, e não colocando o antigo internacional e número 10 como “sucessor” na liderança do clube, o líder dos encarnados não tem dúvidas de que Rui Costa terá sempre uma palavra a dizer.

Em entrevista à SIC na semana passada, Vieira tinha voltado a referir que “este será o último mandato” mas falou também do futuro no clube. “Não vale a pena enganar ninguém, é o último mandato. Terá de ser preparada a minha sucessão. Se terminar agora, é mau para o Benfica. O meu sucessor tem de ser preparado, porque isto precisa de continuidade”, referiu. No início da semana, o atual líder esclareceu o sentido dessas declarações. “Parece que tenho sido muito mal interpretado, que as pessoas pensam que isto é uma monarquia. Não é monarquia nenhuma. Este é um projeto de futuro, que tem de ter continuidade e o que disse é que o Benfica tem hoje na sua casa gente para dar continuidade a esse projeto. Mas quem vai decidir serão sempre os sócios do Benfica. Nunca poderão dizer que sou eu quem anda a fazer campanha para quem quer que seja”, destacou.

Vieira garante que corre para fazer último mandato: “Tenho 71 anos, a quarta classe, não falo inglês mas orgulho-me no trabalho realizado”

Ainda na Direção, confirmam-se também as saídas de Nuno Gaioso Ribeiro, João Costa Quinta e Alcino António (que deverá manter-se ligado ao clube). Nas entradas, além de Rui Costa, Sílvio Cervan sobe a efetivo e entram dois nomes como suplentes: Jaime Antunes, antigo candidato à presidência do clube que em tempos foi um crítico de Luís Filipe Vieira, e Rui Vieira do Passo, a outra cara nova no elenco de Luís Filipe Vieira.

“Não mudei, cumpri e continuarei a cumprir com a promessa que fiz quando assumi pela primeira vez o lugar mais nobre e de maior responsabilidade do Benfica. Em alguns momentos, falhei por ação mas nunca por omissão. Sempre estive presente, agi em função da minha consciência e da visão que tinha para o Benfica. Nunca fugi nas tempestades, nem hesitei nas crises. E é assim que vou continuar. Assumo o que sempre assumi no passado: trabalho e total dedicação ao clube. Foi assim que chegámos aqui, é assim que vamos continuar a crescer. Não basta invocar o futuro como argumento eleitoral. O futuro não é o que se promete mas sim o que se conquista. O futuro não se alcança com tiradas demagógicas ou títulos de jornais”, salientou.

Entre uma homenagem sentida a Luís Santos, antigo técnico de equipamento que faleceu aos 53 anos vítima de doença prolongada, Vieira destacou ainda mais dois nomes, neste caso os novos rostos da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal e Disciplinar: Rui Pereira, antigo ministro que já ocupa hoje a posição de líder da Mesa da Assembleia Geral da SAD dos encarnados, e Fernando Fonseca Santos, que já tinha estado nos primeiros órgãos sociais do clube com o atual número 1, que saiu em choque mas que regressa entretanto à Luz.

“Já trabalho há doze anos com o Rui Costa. Tem a essência do Benfica: a paixão, o inconformismo, a mística. Já discordámos, já divergimos, porque isso é normal entre os que têm de decidir, mas sempre estivemos de acordo no essencial. Sabe o que foi feito, sabe de onde viemos e para onde vamos, sabe o que queremos e o que projetamos para o futuro do Benfica. Eu represento o presente, tu o futuro. E o Rui aceitou entrar na minha lista sem nenhuma alteração de estatutos, vem graciosamente trabalhar para o Benfica”, revelou. “O Rui Pereira é um enorme benfiquista que nos vai emprestar o seu conhecimento, a sua experiência, a sua ponderação. O Fonseca Santos regressa agora para servir o clube depois de ter sido testemunha privilegiada das dificuldades que tivemos de superar e de como fizemos das fraquezas forças”, acrescentou ainda Luís Filipe Vieira.