A ministra do Estado e da Presidência defendeu esta sexta-feira que os Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes ajudam à internacionalização do ensino superior e que o Governo espera que 25% de estudantes em 2023 sejam estrangeiros.

“Temos como objetivo na própria proposta de orçamento que está na Assembleia da República esta mobilização de todas as instituições do ensino superior para implementar o programa ‘Estudar e Investigar em Portugal’, de modo a que o número de estudantes estrangeiros duplique até ao final de 2023, ou seja, possa representar cerca de 25% dos nossos estudantes”, admitiu Mariana Vieira da Silva.

Os institutos “politécnicos foram muito transformadores da vida das regiões e só têm a ganhar com a diversidade de alunos e a internacionalização do ensino superior”, disse a governante.

A ministra falava no Instituto Superior de Tecnologia e Gestão (ISTG) em Lamego, na cerimónia de inauguração do 109.º Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM).

“É importante que o politécnico de Viseu [que passou assim a deter dois centros] possa enfrentar este desafio garantindo ao mesmo tempo todas as condições para que os estudantes que escolham o Instituto Politécnico de Viseu (IPV) e o ISTG de Lamego para estudar tenham as condições para fazer um percurso integrado desde a primeira hora”, defendeu.

Mariana Vieira da Silva elogiou o presidente do IPV por ter a seu cargo dois CLAIM, uma vez que considera que isso “ajuda a quebrar um mito que isto da integração é uma coisa que se faz para aqueles que estão mais desprotegidos, para os mais pobres, para os mais excluídos”.

“Não, a integração é importante para todos os que escolhem o nosso país para viver, seja para trabalhar ou para estudar ou para procurar um caminho novo na sua vida“, destacou.

Mariana Vieira da Silva disse que a inauguração desta sexta-feira representa “uma prioridade que o país dá a três dimensões distintas”, destacando também “o desafio demográfico que o país enfrenta”, nomeadamente em “zonas mais do interior”.

“Podemos ter todas as políticas de natalidade que quisermos, mas, na verdade, só será possível enfrentar este desafio com uma aposta nas migrações ordenadas, seguras e com uma aposta na integração destas populações, porque Portugal não voltará a ter os níveis de natalidade que já teve”, defendeu.

O presidente do IPV, João Monney Paiva, admitiu que o CLAIM situado nas instalações do Politécnico de Viseu há cerca de um ano “fez 153 atendimentos, na sua maioria para pessoas da comunidade em geral e não apenas na comunidade académica”.

“O nosso primeiro compromisso é com a comunidade académica, porque não podemos ter a ambição de tratar todos os casos que aparecem e temos de priorizar, mas, felizmente, temos conseguido prestar o serviço em situações de grande empenhamento”, destacou.

O presidente do IPV admitiu que a pandemia de covid-19 “interrompeu um pouco” a estratégia de captação para Lamego de estudantes internacionais, mas que “será retomada assim que possível” e, neste sentido, o CLAIM “será uma parte importante para que os estudantes possam ter o apoio e proximidade que tem existido em Viseu”.