Os líderes da União Europeia (UE), reunidos em cimeira europeia em Bruxelas, decidiram reforçar a cooperação para testes e rastreamento de casos positivos de Covid-19 no espaço comunitário, perante subidas acentuadas das novas infeções, foi esta sexta-feira anunciado.

“A situação é bastante séria, sem precedentes, e tomámos a decisão de reforçar a nossa cooperação europeia, especialmente no que toca aos testes e ao rastreamento”, declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Falando à entrada para o segundo dia da cimeira europeia, que esta sexta-feira termina em Bruxelas, Charles Michel referiu que os chefes de Estado e de Governo da UE decidiram “organizar, de forma regular, [ações de] cooperação e coordenação”.

No primeiro dia deste Conselho Europeu, na quinta-feira, a pandemia de Covid-19 foi um dos assuntos em cima da mesa, bem como a meta climática até 2030 e a futura relação de Londres e Bruxelas após o Brexit.

No que toca ao novo coronavírus, as conclusões do Conselho Europeu, divulgadas já de madrugada, referem que os líderes consideram que a atual situação epidemiológica “não tem precedentes e suscita grandes preocupações“.

Ainda assim, os chefes de Governo e de Estado da UE congratularam-se no documento com os “progressos alcançados até à data em matéria de coordenação global a nível da UE contra a Covid-19, incluindo a recomendação sobre uma abordagem coordenada das restrições à liberdade de circulação”.

E exortaram “o Conselho, a Comissão e os Estados-membros a prosseguirem o esforço global de coordenação baseado nos melhores dados científicos disponíveis, nomeadamente no que diz respeito às regulamentações da quarentena, ao rastreio dos contactos transfronteiras, às estratégias de despistagem, à avaliação conjunta dos métodos de despistagem, ao reconhecimento mútuo dos testes e à restrição temporária das viagens não indispensáveis para a UE”. Comprometeram-se, ainda, a “abordar regularmente esta questão”.

Na entrada para a cimeira, na quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse esperar que os líderes da UE consigam chegar a “acordo sobre a duração da quarentena e a necessidade de testes”. “Por isso, apelo a todos para que também cheguemos a acordo sobre esta questão importante”, adiantou.

Porém, esta matéria ainda não foi alvo de uniformização na UE, com alguns Estados-membros a optarem por quarentenas de sete dias (como a Bélgica) e outros de 10 dias (como Portugal, para de doentes assintomáticos e ligeiros). Também os critérios para testes diferem de país para país.

Neste segundo de Conselho Europeu, os líderes vão discutir questões internacionais, especialmente no que toca à parceria da UE com África.