Baixou de 21% para 17% a proporção de empresas que planeiam reduzir postos de trabalho no quarto trimestre, em comparação com o número de colaboradores que tinham no final de 2019. Esta é uma conclusão de um estudo realizado pela CIP, que consultou 558 empresas e que diz respeito à evolução deste indicador entre setembro e outubro. Ainda assim, 17% “é bem melhor do que a previsão de quebra de vendas, o que significará um esforço das empresas em manter postos de trabalho face à quebra de vendas”, indica a CIP.

O estudo da associação empresarial calcula, a partir da sondagem que fez, que 83% das empresas prevê manter ou, mesmo, reforçar os recursos humanos (73% manter e 10% reforçar). As tais 17% que preveem reduzir o número de pessoas, porém, apontam em média para uma redução de cerca de 25% da respetiva força de trabalho.

Isto acontece ao mesmo tempo que se verifica que “as expetativas de vendas das empresas respondentes para os próximos três meses é claramente negativa face a 2019 (com 60% a esperarem uma diminuição versus 12% a esperarem um crescimento)”. A CIP diz que “das 60% das empresas que esperam diminuir vendas, a média da quebra esperada é de 36%. Enquanto as 12% esperam aumentar 19%, em média”.

O estudo revela, também, que 39% das empresas antecipam uma diminuição do investimento de 2021 em comparação com 2019, mas “o mais preocupante é a quebra média de 53%”, diz a CIP.

O presidente da CIP, António Saraiva, comentou na apresentação deste estudo que esta previsível quebra das vendas e do investimento (ao mesmo tempo que se prevê uma quebra de postos de trabalho inferior) demonstram uma “capacidade de resiliência” das empresas portuguesas, que estão maioritariamente a manter os empregos “por vezes sabe Deus” com que sacrifícios para o conseguir.

Apesar desta quebra significativa, ao contrário do que muitas vezes se diz as empresas continuam a mostrar uma preocupação social e manter os postos de trabalho, também porque sabem que quando a pandemia deixar de ter os efeitos avassaladores que está a ter, o conhecimento e o know-how que as empresas têm tem de estar disponível”, diz António Saraiva.

O relatório indica, também, que 40% das empresas portuguesas estiveram em setembro a vender a novos clientes – novos clientes que já valem 14% das vendas. Olhando para a frente, “obviamente que ninguém tem bolas de cristal para saber como irá evoluir a pandemia” mas muito vai depender daquela que será a “evolução dos nossos parceiros – como Espanha, Alemanha, Reino Unido”, indicou António Saraiva. Seja como for, “há aqui uma crença de que a crise irá passar – só não se sabe quando”.

António Saraiva, que mais uma vez criticou a “total ausência de medidas de apoio à economia” na proposta de Orçamento do Estado para 2021, indicou que nas próximas semanas, na altura da discussão do orçamento na especialidade, a CIP irá fazer o possível para nas “interações com os partidos políticos, todos” fazer ver aos responsáveis a importância de haver mais medidas de estímulo às empresas.

OE2021. CIP desiludida com proposta “para pagar desemprego” em vez de o apoiar