A Arménia e o Azerbaijão acusaram-se esta segunda-feira mutuamente de terem realizado novos ataques na região separatista de Nagorno-Karabakh, apesar da “trégua humanitária” anunciada no sábado pelas partes.

Esta tentativa de organizar um cessar-fogo, o segundo desde a retoma das hostilidades, em 27 de setembro, acontece numa altura em que o conflito entra na sua quarta semana. A primeira trégua, negociada sob a égide de Moscovo e que deveria ter tido início em 10 de outubro, nunca foi respeitada.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, pediu esta segunda-feira, mais uma vez, o fim dos ataques e que os dois campos “parem de alimentar a retórica belicosa”.

Lavrov descreveu a manutenção do conflito como “inaceitável” e indicou que a Rússia, o Azerbaijão e a Arménia estão a trabalhar para estabelecer “num futuro próximo” um mecanismo de monitorização do cessar-fogo.

Esta segunda-feira de manhã, o Ministério da Defesa do Azerbaijão acusou as forças separatistas arménias de bombardearem o território do distrito de Agjaberdi e, durante a noite, os de Geranboy, Terter e Agdam.

Por sua vez, o Ministério da Defesa de Nagorno-Karabakh acusou o Azerbaijão de ter disparado, durante a noite, artilharia “em vários setores da frente” e de continuar os ataques pela manhã.

O exército de Karabakh irá responder proporcionalmente”, acrescentou.

Também o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, acusou, numa mensagem divulgada através do Twitter, as forças separatistas de violar “descaradamente” o cessar-fogo e de matar civis a tiro em bairros residenciais, reivindicando ainda a conquista de 13 novas localidades.

A retoma dos combates, há três semanas, provocou oficialmente cerca de 700 mortos, mas as perdas são indiscutivelmente maiores, com cada lado a alegar ter matado milhares de inimigos.

O Azerbaijão anuncia ganhos territoriais quase diariamente, enquanto os separatistas arménios, embora admitam ter tido de recuar no território, consideram a situação “sob controlo”.

Além de uma potencial crise humanitária, a comunidade internacional teme uma internacionalização do conflito, com a Turquia a apoiar o Azerbaijão e a Arménia, que apoia financeira e militarmente os separatistas, a fazer parte de uma aliança militar com a Rússia.

Habitada principalmente por arménios cristãos, Nagorno-Karabakh separou-se do Azerbaijão, país muçulmano xiita de língua turca, pouco antes da dissolução da URSS, em 1991, levando a uma guerra que fez cerca de 30.000 mortos.

Um cessar-fogo, embora interrompido por alguns confrontos, estava em vigor desde 1994.