O Reino Unido assinou um contrato para o primeiro “desafio humano” do novo coronavírus, no qual voluntários jovens e saudáveis serão infetados com o SARS-CoV-2 com o objetivo de acelerar o desenvolvimento da vacina.

O contrato, anunciado esta terça-feira, foi assinado pelo governo do Reino Unido e pela hVIVO, uma empresa especializada em realizar este tipo de experiências e conta também com a parceria do Imperial College de Londres.

Os voluntários são jovens entre os 18 e os 30 anos e, tal como escreve a BBC, a sua segurança será a “prioridade número um” dos especialistas. Por isso, os testes serão realizados no Royal Free Hospital de Londres, que tem uma enfermaria nível 3 de Biossegurança.

Numa primeira fase, a hVIVO vai expor 19 voluntários saudáveis ​​ao SARS-CoV-2, para determinar a dose mínima que leva ao sintoma da infeção. As “cobaias humanas”, escolhidas entre milhares de candidatos, serão infetadas pelo nariz através de uma pipeta e acompanhadas 24 horas por dia durante um ano para avaliar possíveis efeitos colaterais. No total, 90 pessoas irão participar na experiência.

A diferença entre os testes de vacinas que atualmente estão na fase 3 e estes testes de “desafio humano” é que, no primeiro caso, os voluntários recebem a vacina experimental e depois “voltam à sua vida normal”, esperando-se que uma pequena percentagem seja exposta ao vírus de forma natural, explica a CNN. No segundo caso, os participantes são deliberadamente infetados com o vírus.

Sobre os riscos dos testes, o líder do projeto, Dr. Chris Chiu, do Imperial College afirma que “nenhum estudo está totalmente isento de riscos”.

A minha equipa tem conduzido com segurança estudos de ‘desafio humano’ com outros vírus respiratórios durante mais de 10 anos. Nenhum estudo está totalmente isento de riscos, mas os parceiros do Programa de Desafio Humano estão a trabalhar arduamente para garantir que os riscos sejam os mínimos possíveis”, disse.

Os testes, que podem começar já em janeiro, ainda precisam de aprovação ética e dos reguladores para poderem seguir em frente. No entanto, este tipo de “desafios” não são incomuns, tendo sido utilizados também na descoberta de vacinas contra a febre tifóide, cólera e malária.

Em maio, a Universidade de Oxford já tinha levantado a hipótese de infetar deliberadamente voluntários depois de vacinados porque se receava que o vírus pudesse deixar de estar tão ativo na transmissão comunitária — na altura, grande parte dos países esta a ver a curva de novos casos a descer.

A Organização Mundial de Saúde já tinha, nessa altura, orientações para que este tipo de ensaios pudesse avançar e que incluíam ser feito apenas com pessoas saudáveis e jovens (entre os 18 e os 30 anos), com o menor número de voluntários possível (100 poderá eventualmente ser suficiente) e com consentimento informado, entre outros requisitos. A falta de tratamento eficaz para um vírus que pode ser mortal mesmo nos jovens é um dos argumentos contra este tipo de ensaios.

Vacinas. Dos resultados promissores ao que ainda pode correr mal

O total acumulado desde o início da pandemia de Covid-19 no Reino Unido é de 741.212 casos de infeção confirmados e de 43.726 óbitos registados num período de 28 dias após as vítimas terem recebido um teste positivo.