A Proteção Civil registou 510 ocorrências em Portugal continental na segunda-feira, na sequência da passagem da depressão Bárbara, com Lisboa a ser o distrito mais afetado pelo mau tempo.

Nas últimas 24 horas, que correspondem ao início do estado de alerta [da Proteção Civil] para a depressão Bárbara registaram-se 510 ocorrências”, disse esta terça-feira à agência Lusa fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Estas ocorrências são, maioritariamente, “inundações, quedas de árvores, limpezas de via e quedas de estruturas”. O distrito de Lisboa é o mais afetado pelo mau tempo, com 171 ocorrências do total contabilizado, seguido pelo de Setúbal (67), Coimbra e Guarda (ambas com 37), Leiria e Santarém (ambas com 36).

“Estes seis distritos totalizaram 75% da atividade registada no território” continental, referiu a mesma fonte, acrescentando que “não há registo de vítimas”.

Os únicos danos que houve foram, por exemplo, caves ou garagens inundadas, especificou a Proteção Civil.

A ANEPC prevê “um desagravamento” da situação meteorológica durante a madrugada desta terça-feira], mas, “a partir das 9h, deverá haver um novo agravamento”.

Os distritos de Lisboa, Santarém, Setúbal, Portalegre, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra e Porto estão em estado de alerta especial laranja (o segundo mais grave da escala) a partir das 00h desta terça-feira por causa da chuva forte e do vento.

No sistema de Proteção Civil, o estado de alerta especial laranja significa que o grau de risco é elevado, sendo expectável uma situação de perigo com condições para a ocorrência de fenómenos invulgares que podem causar danos a pessoas e bens, colocando em causa a sua segurança. Este estado vai durar até às 23h59 de quarta-feira.

Os distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém, Portalegre e Castelo Branco estão também esta terça-feira sob aviso meteorológico vermelho, o mais grave, devido à previsão de chuva forte, na sequência da passagem da depressão Bárbara, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O aviso vermelho, o mais grave de uma escala de quatro vai estar em vigor nos cinco distritos entre as 12h e as 18h desta terça-feira.

O aviso vermelho corresponde a uma situação meteorológica de risco extremo. Nesta situação, o IPMA recomenda que as pessoas se mantenham ao corrente da evolução das condições meteorológicas e sigam as orientações da proteção civil.

Portugal continental está sob o efeito da depressão Bárbara, que dará origem a precipitação forte, aumento da intensidade do vento com rajadas até 100 quilómetros por hora e até 130 quilómetros por hora nas terras altas e agitação marítima, em especial na costa da região sul.

O IPMA colocou também a ilha da Madeira sob aviso laranja até às 18h desta terça-feira devido à previsão de vento forte de sudoeste com rajadas até 130 quilómetros por hora.

No arquipélago dos Açores, as ilhas Graciosa, S. Jorge, Faial, Pico e Terceira (grupo Central) estão sob aviso amarelo devido à previsão de precipitação forte, podendo ser acompanhada de trovoada entre 00h e as 20h desta terça-feira.

Chuva intensa provocou 43 inundações no distrito de Setúbal

A chuva intensa que caiu na segunda-feira, durante a tarde e a noite, no distrito de Setúbal, provocou 43 inundações em habitações e vias públicas, sem causarem danos pessoais, disse esta terça-feira fonte da Proteção Civil.

Em declarações à Lusa, fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal indicou que no distrito foram registadas, desde as 18h e até às 23h50 de segunda-feira, 62 ocorrências relacionadas com o mau tempo, a maioria inundações.

Há ainda a registar 15 quedas de árvores e a queda de várias estruturas, adiantou a mesma fonte. Segundo o CDOS, a cidade de Setúbal, onde ocorreram cerca de 20 inundações, foi a mais afetada.

Também foram registadas inundações em Almada, Palmela, Moita e Barreiro.

Houve poucas ocorrências durante a noite

A Proteção Civil registou entre as 00h e as 7h desta terça-feira 15 ocorrências devido à chuva, sobretudo em Faro, mas a situação vai agravar-se a partir do final da manhã devido à depressão Bárbara.

Depressão Bárbara. Condições meteorológicas vão agravar-se esta terça-feira de manhã

Em declarações à agência Lusa cerca das 9h, o comandante Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que a noite foi “muito calma”, contrariamente ao que tinha ocorrido entre as 00h de segunda-feira e as 00h desta terça-feira, com o registo de 510 ocorrências relacionadas com o mau tempo.

A noite passada acabou por ser bastante tranquila ao nível das ocorrências tendo-se verificado apenas 15 ocorrências durante a noite sobretudo no distrito de Faro onde se registaram quatro”, disse.

De acordo com o comandante, as situações registadas tiveram sobretudo a ver com inundações, que foram “rapidamente resolvidas”.

“Contudo, nas próximas horas vamos ter um agravamento do estado do tempo em especial nos distritos de Lisboa, Setúbal, Castelo Branco, Portalegre e Santarém para onde está emitido aviso vermelho pelo IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] para a precipitação”, indicou.

Segundo o comandante, a intensidade da chuva e do vento esperados podem ocasionar quedas de árvores e inundações urbanas.

Apesar do aviso vermelho para aqueles cinco distritos, o mau tempo vai fazer-se sentir em todo o país. Estamos a falar de inundações urbanas. Estamos no início do outono e as folhas começam a cair provocando entupimentos que motivam ocorrências nas zonas mais baixas”, salientou.

Por causa da situação, o comandante Paulo Santos deixou recomendações à população para prevenir situações de perigo.

“Gostaria de deixar um conselho à população no sentido de que evitem fazer deslocações que não sejam absolutamente necessárias, isto porque as vias vão estar muito perigosas com lençóis de água, pelo que não se recomenda passar pois podem estar a ocultar tampas levantadas, buracos ou obstáculos”, destacou.

O comandante recomendou ainda a população a evitar passar por zonas arborizadas devido ao perigo de queda de árvores ou ramos de grandes dimensões.

“Se tiverem mesmo de conduzir, devem evitar as zonas inundadas e manter uma condução defensiva, ou seja, com velocidade reduzida e a distância de segurança para o veículo da frente”, sublinhou.

Notícia atualizada às 10h32 com as declarações do comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.