A Comissão Europeia alertou esta segunda-feira para o “declínio” do estado das espécies e habitats protegidos no continente europeu, num relatório sobre o estado da natureza na União Europeia (UE).

No relatório esta segunda-feira publicado, é referido que 81% dos habitats protegidos estão em “estado fraco ou mau”, contra apenas 15% em “estado bom”, sendo que os territórios costeiros são particularmente afetados, com a menor taxa de avaliação positiva.

A conservação das espécies também tem conhecido uma tendência negativa em todo o continente europeu, com apenas 27% a manterem um “estado bom”, sendo que os peixes de água doce são os animais com a maior taxa de deterioração, com 62% em “estado fraco ou mau”.

No relatório, é sublinhado que “a agricultura intensiva, a urbanização, a exploração florestal não sustentável e as alterações dos habitats de água doce” são as principais causas para a degradação dos habitats e das espécies, sendo referido também que a “poluição da água e do solo, as alterações climáticas e a caça e pescas insustentáveis” têm afetado significativamente o meio ambiente.

Em nota de imprensa a acompanhar o relatório, a Comissão Europeia realça que a “aplicação de medidas de conservação direcionadas produz resultados”, exortando os Estados-membros a adotá-las, e dando o exemplo do lince ibérico, cuja população, após “grandes projetos de conservação”, se encontra agora “a recuperar”.

“Se não for contrariado, este declínio resultará inevitavelmente na erosão contínua da nossa biodiversidade e dos serviços vitais que proporciona, colocando em risco a saúde e a prosperidade humanas”, sublinha também a nota de imprensa.

Em comunicado, o comissário com a pasta do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, referiu também que o relatório demonstra que a UE está a perder o “sistema essencial de suporte vital” e apelou ao “respeito dos compromissos” da UE.

“Não menos de 81% dos habitats protegidos estão em mau estado na UE. Devemos, com toda a urgência, respeitar os compromissos feitos no quadro da nova Estratégia de Biodiversidade da UE, de maneira a inverter o declínio a proveito da natureza, do clima e das populações”, referiu o comissário em comunicado que acompanha o relatório.

O relatório esta segunda-feira revelado é apresentado pela Comissão Europeia como sendo “o maior e mais vasto exercício de dados jamais realizado sobre o estado de natureza na Europa”.

No âmbito do estudo, foram analisados 233 tipos de habitats no continente europeu, todas as espécies de aves na UE e 1.400 plantas e animais selvagens “de interesse europeu”.