O presidente do PS/Açores respondeu esta terça-feira a críticas de partidos sobre a inclusão nas listas às regionais do rosto da autoridade de saúde regional, dizendo que “ninguém” diz por que é que Tiago Lopes não pode ser candidato.

“É que ninguém responde. Até este momento, ninguém diz por que é que não pode ser [candidato]. O senhor presidente da câmara de Ponta Delgada pode suspender simbolicamente o seu mandato e ser candidato. Um conjunto de outros dirigentes e de cidadãos podem exercer esse direito. Por que é que essa pessoa em concreto não pode ser?”, questionou Vasco Cordeiro, falando em Angra do Heroísmo. E prosseguiu, respondendo à sua própria questão mas logo insistindo nas dúvidas: “Eu não sei. Alguém sabe? Por que é que essa pessoa em concreto deve ter esse direito limitado?”.

Tiago Lopes, atual diretor regional da Saúde e dirigente máximo da Autoridade de Saúde dos Açores, integra a lista socialista às regionais de domingo, concorrendo pela ilha Terceira. O PSD, maior partido da oposição, referiu recentemente em entrevista à agência Lusa que a presença na lista do enfermeiro de profissão representa um “aproveitamento” dos socialistas de um “certo protagonismo” que Tiago Lopes almejou durante a pandemia, quando, durante meses, ‘entrou em casa’ dos açorianos por via dos pontos de situação diários da covid-19.

É notoriamente um aproveitamento político. Mais evidente não pode ser. Isto é vantajoso para a maturidade orgânica dos órgãos de governo próprio da região, da autonomia e democracia dos Açores? Penso que não”, considerou o social-democrata, em entrevista à agência Lusa, a quem hoje Vasco Cordeiro aludiu por não ter renunciado ao mandato de presidente de câmara de Ponta Delgada, antes mantendo o mandato suspenso por motivos “simbólicos”.

Vasco Cordeiro, acompanhado de diversos candidatos pela Terceira, visitou esta terça-feira um grupo empresarial situado na Praia da Vitória e ouviu aspetos favoráveis e menos positivos referentes, por exemplo, ao envio de carga para o exterior. Aos jornalistas, o candidato socialista garantiu o acompanhamento “a par e passo” da situação dos empresários da região na atual fase de pandemia.

“Um dos objetivos centrais do PS na próxima legislatura é defender o emprego e defender a economia”, asseverou Vasco Cordeiro, presidente do Governo dos Açores desde 2012 e candidato a um terceiro e último mandato. A recapitalização das empresas é um dos aspetos tidos por “fundamental” e que poderá funcionar como “poderosa alavanca” na defesa da economia açoriana, acrescentou ainda.

Posteriormente, os candidatos socialistas visitaram a Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, destacando Vasco Cordeiro o “papel fundamental” da entidade na parceria entre público e privado “na prestação de uma série de serviços” em áreas como a infância ou os idosos. “Todo este projeto da próxima legislatura de ultrapassar a situação desafiante que vivemos passa por uma atenção muito cuidada em relação às políticas sociais”, defendeu.

As legislativas dos Açores decorrem no dia 25, com 13 forças políticas candidatas ao parlamento: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP. Estão inscritos para votar 228.999 eleitores. No arquipélago, onde o PS governa há 24 anos, existe um círculo por cada uma das nove ilhas e um círculo de compensação, que reúne os votos não aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.