O Agrupamento de Centros de Saúde do Douro Sul foi distinguido esta quarta-feira com o Prémio Healthcare Excellence pela criação da “APLar”, uma equipa multidisciplinar de atuação preventiva em estruturas residenciais para idosos, foi esta quarta-feira anunciado.

Este ano, a iniciativa desenvolvida pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), em parceria com a biofarmacêutica AbbVie, distinguiu projetos desenvolvidos no âmbito de resposta à pandemia de Covid-19.

A equipa multidisciplinar formada pelo ACES Douro Sul foi criada para acompanhar os lares no contexto de pandemia, realizando visitas às estruturas, identificando as não conformidades, avaliando as necessidades e apresentando recomendações, com o intuito de reduzir o impacto da Covid-19 nos utentes e profissionais de saúde. Desta equipa fazem parte médicos especializados em Saúde Pública, enfermeiros especializados em saúde comunitária, técnicos de saúde ambiental, entre outros, adiantam os promotores da iniciativa em comunicado.

No total, a “APLar” interveio em 36 lares de oito concelhos do distrito de Viseu, envolvendo 1.169 profissionais, que prestam cuidados a cerca de 1.600 utentes. Nas muitas visitas realizadas, a equipa do ACES Douro Sul realizou ainda formações teóricas e práticas em áreas tão diversas como: procedimentos básicos de organização das estruturas, utilização de equipamentos de proteção individual, cumprimento da etiqueta respiratória e higienização dos espaços e equipamentos, entre outros.

A primeira menção honrosa foi atribuída ao Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), que desenvolveu uma plataforma de monitorização, em tempo real das infeções por Covid-19 com caracterização pelas diferentes áreas e previsão para sete dias de novas infeções, doentes internados e óbitos. Este modelo preditivo tem permitido ao centro hospitalar ajustar os planos de contingência em resposta direta à pandemia e traçar cenários sobre a necessidade de recursos a alocar.

Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SMPS) foram distinguidos com a segunda menção honrosa pelo projeto “Autoreport & Trace Covid-19”, uma “ferramenta inteligente” que tem servido de apoio à intervenção por parte do corpo clínico e das autoridades de saúde. Desde abril, já se registaram no sistema mais de 1,5 milhões de utentes, que foram monitorizados por cerca de 75 mil profissionais de saúde, que recolheram mais de 2,8 milhões de vigilâncias por telefone.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço explicou que nesta sétima edição do prémio receberam 70 candidaturas, das quais foram selecionados oito projetos finalistas, essencialmente ligadas à primeira vaga de Covid-19 e à forma como os hospitais e outras estruturas se adaptaram ao combate à pandemia.

“Foi muito gratificante” verificar este número de candidaturas de organizações públicas, sociais, privadas que “realmente contribuíram para a melhoria do acesso aos cuidados de saúde na altura da primeira fase da pandemia”, salientou Alexandre Lourenço. Desde a primeira edição que o objetivo é “premiar quem faz bem” e potenciar a aplicação destes projetos no país. “Achámos importante premiar o esforço que existiu durante a primeira vaga e daí que acabámos por selecionar um conjunto de projetos bastante heterogéneo” e “reconhecer o mérito dos profissionais de saúde que lideraram esses projetos”.

Entre os finalistas estiveram também projetos de outras organizações de saúde: Hospital Garcia de Orta, Centro Hospitalar e Psiquiátrico de Lisboa, Health Cluster Portugal, Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla e Hospital da Senhora da Oliveira.

A decisão ficou a cargo do júri presidido por Delfim Rodrigues, vice-presidente da APAH, e que integrou Dulce Salzedas, jornalista da SIC, Ricardo Mestre, vogal da Administração Central do Sistema de Saúde, e Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.