O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho (AECT) Rio Minho vai “articular um posicionamento transfronteiriço conjunto” para proteger a Serra d’Arga, no distrito de Viana do Castelo, de um eventual projeto de mineração, foi esta quarta-feira divulgado.

Não existem fronteiras na proteção do ambiente em defesa de um património comum que é o rio Minho. Os problemas ambientais que afetam o rio Minho são comuns no Alto Minho português e, no Baixo Minho galego. Em cima da mesa está uma causa justa, porque a defesa da Serra d’Arga, em conjunto com os galegos, é a defesa do património comum do Vale do Minho”, afirmou o diretor do AECT, Fernando Nogueira, citado numa nota esta quarta-feira enviada às redações.

O vice-diretor do AECT Rio Minho, Uxío Benítez, disse que “aquela entidade vai articular um posicionamento transfronteiriço conjunto, já que os recursos da região, ainda que estando em território administrativo português, são comuns ao Baixo Minho galego”.

Estaremos vigilantes aos possíveis impactos no rio, no território, nos recursos naturais da região e na qualidade da água. Antes, o Minho era um lugar que parecia que não era de ninguém, nem o defendiam de um lado nem do outro, mas agora existe o AECT e vamos defendê-lo conjuntamente com os concelhos galegos e as câmaras portuguesas”, sublinhou o responsável galego. Os dois responsáveis reuniram-se na terça-feira com o movimento cívico SOS Serra d’Arga, que contesta qualquer projeto de mineração naquele território.

A Serra d’Arga abrange uma área de 10 mil hectares nos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo e Ponte de Lima, dos quais 4.280 hectares se encontram classificados como Sítio de Importância Comunitária.

O encontro, pedido pelo movimento, serviu para “solicitar o apoio do AECT Rio Minho na sensibilização de autarcas e de movimentos associativos galegos em prol de uma defesa consensualizada do território comum da Serra d’Arga, no âmbito do processo de mineração de lítio”.

A reunião com aquele agrupamento surge na sequência de “um conjunto de reuniões solicitadas pelo movimento SOS Serra d’Arga aos municípios do Alto Minho que integram o perímetro da Serra d’Arga”, sendo que o encontro com o AECT “procurou valorizar a importância da bacia do rio Minho”.

Desde agosto, que o movimento cívico tem vindo a promover, “contactos diretos com várias associações galegas, no sentido de delinear ações de sensibilização e de apelo popular para o envolvimento nesta causa”.

A representante do movimento, Ludovina Sousa, citada na nota enviada pelo agrupamento, reafirmou que “o rio Minho é um elemento de união”, e que encontro pretendeu “sensibilizar a entidade transfronteiriça para os possíveis e nefastos impactos sobre as águas internacionais do rio Minho, caso o projeto de mineração do Governo português se venha a concretizar nesta região do Alto Minho”.

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, disse na terça-feira à Lusa que a proposta do Governo inclui oito áreas para o concurso internacional a lançar com vista à prospeção e pesquisa de minérios. A zona de Arga foi, “nos estudos preliminares de 2016, identificada como zona com elevado potencial de lítio”.

A Serra d’Arga está atualmente em fase de classificação como Área de Paisagem Protegida de Interesse Regional, numa iniciativa conjunta daqueles dos concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira. O processo que deverá estar concluído no início de 2021, para garantir a proteção daquele território.