O vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Duarte Pacheco disse, esta manhã que “são precisos dois para dançar o tango” referindo-se ao Orçamento de Estado (OE). O deputado afirmou que, embora o PS seja livre de dançar o tango com quem quiser, não ia ficar à espera que António Costa “leve uma tampa”, acreditando que o Orçamento de Estado para 2021 vai ser aprovado pela esquerda.

Em entrevista à Rádio Observador, o representante do PSD falou sobre a decisão de chumbar o OE, tomada pelo partido na quarta-feira. Segundo o deputado, a proposta apresentada “está muito longe de responder aos problemas estruturais do país” e “não corresponde à visão que o PSD tem para Portugal”.

Em jeito de análise, Duarte Pacheco reconheceu estar de acordo com algumas medidas propostas, como o “aumento do salário mínimo, aumento de pensões e contratação de médicos”. Considera, no entanto que no seu conjunto, o Orçamento não é aquele que dá a melhor resposta às necessidades do país. “É que o país tem um problema de crescimento que não é de hoje nem da epidemia: estamos a perder terreno face aos nossos parceiros europeus. O Orçamento não responde a isso”, afirmou.

PSD diz que “são precisos dois para dançar o tango” e não ficou à espera que Costa “levasse uma tampa”

Quando questionado pela Rádio Observador se o chumbo do Orçamento não seria “birra do PSD”, o deputado explicou que não entende porque pode ser. A seu ver, o partido tem “uma visão completamente diferente da que Costa e o PS têm para o país”. Para a bancada social democrata, os problemas estruturais do país resolvem-se “apostando sobretudo no setor privado, porque é quem cria riqueza”.

Há falta no Estado de médicos, assistentes operacionais nas escolas? É necessário reforçar em muitas outras áreas investimento público? É. Mas só há dinheiro para isso, se o país tiver capacidade de criar riqueza e através disso o Estado tiver capacidade de arrecadar mais receita fiscal sem agravar impostos. Não há nenhuma medida que diga “vamos apoiar as empresas para que elas possam também sobreviver a esta crise”, e por essa via recuperarem ao nível das exportações, do mercado interno e automaticamente ajudar o Estado a colmatar as faltas que o país tem”.

Para além disto, garantiu que o partido vai escrutinar o que foi feito para combater a segunda vaga de Covid-19 e a pressão sobre os serviços de saúde, recordando que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), já morreram mais 5000 pessoas este ano do que no anterior, de doenças que não a provocada pelo Coronavírus.

As audições com o Ministério da Saúde serão muito mais duras. A exigência agora é completamente diferente. Não estamos na lógica de chorar, ou de por o braço ao lado e dizer ‘vamos em frente’, o que querem para vos ajudar? É preciso saber o que está a ser feito. Que investimentos estão a ser feitos?

Perante o cenário de insatisfação, Duarte Pacheco disse à Rádio Observador que o PSD irá apresentar propostas “que visam, não alterar na profundidade o programa do orçamento, mas melhorar alguns impactos negativos que achamos que o orçamento tem.

O deputado social democrata, não escondeu, no entanto, a sua convicção de que haverá um entendimento entre o PS e a esquerda e que o Orçamento será, assim, aprovado. Já o PSD “jamais servirá para aprovar este orçamento. É um cenário que nunca se vai colocar”.

Quanto à possibilidade de chumbo, Duarte Pacheco admitiu que uma segunda proposta seria “preferível” ao sistema de duodécimos. “Teríamos melhores ferramentas para responder à crise económica e à crise pandémica”, constatou.

Hortens Martins e a falsificação de documentos

Já no final da entrevista, o vice-presidente da bancada social democrata foi questionado sobre o caso judicial por falsificação de documentos em que a deputada socialista Hortense Martins esteve envolvida:

Podemos ter falhas e quando é assim, as pessoas têm de ser responsabilizadas. Não significa que essas extrapolações que se fazem possam ser generalizadas e possam ser aceites, e automaticamente aquilo que se identifica é que isso acontece. Temos que ter consideração que a lei é igual para todos, não podem existir regras que uns cidadãos possam recorrer mas os deputados não possam, pelas funções que estão a desempenhar”.

Quanto às eleições nos Açores, e defrontado com o facto de o jornal Público ter avançado que o candidato do PSD, José Manuel Bolieiro, está a ser investigado por insolvência culposa quando presidia a autarquia de Ponta Delgada, Duarte Pacheco não deu muita importância.

Rui Rio foi arguido uma dúzia de vezes porque tomou as decisões que achou que devia tomar, o que nada impede que os seus atos não sejam investigados. Não teve nenhuma consequência, porque nunca foi acusado de nada e também não teve nenhuma consequência eleitoral porque nunca foi acusado de nada. É um exemplo de notícias que vêm e não têm qualquer consequência.”

O PSD deu liberdade de voto no que toca ao referendo para a eutanásia, discutido esta quinta e votado na sexta-feira, decisão apoiada por Duarte Pacheco. “Eutanásia é uma questão de consciência. Existindo liberdade de voto, cada um votará em consciência”, rematou.