José Padilla morreu na última segunda-feira, na sequência de um cancro do cólon, problema de saúde contra o qual lutava nos últimos tempos. Responsável por ajudar a definir a música chill out ainda nos anos 90, o nome do DJ e produtor espanhol tornou-se sinónimo das famosas festas de fim de tarde junto às praias de Ibiza. Tinha 64 anos.

“É com uma grande tristeza que damos a notícia de que José faleceu pacificamente durante o sono, na noite de domingo e na sua querida ilha de Ibiza… […] O pôr-do-sol em Ibiza nunca mais será o mesmo sem ele, mas a bela música de José Padilla ficará connosco para sempre”, pode ler-se no texto partilhado na sua página oficial de Facebook, na última terça-feira.

Nascido na cidade catalã de Girona, em 1955, José mudou-se para Ibiza aos 20 anos, idade com que começou a passar música nos bares e discotecas da cidade. Em San Antonio, mais especificamente no Café del Mar, o seu nome tornou-se famoso pelos fins de tarde ao som de instrumentais relaxantes, brindados pelo pôr do sol e pela vista para o mar.

DJ Jose Padilla, Cafe Del Mar, Ibiza 1994

José Padilla no Café del Mar, em 1994 © Universal Images Group via Getty

Em 1993, editou a primeira compilação desses temas — com o mesmo nome do bar –, tornando-se um dos primeiros nomes a consolidar o chill out como um género próprio e uma das tendências musicais da última década do século XX. Depois do primeiro volume, muitos outros vieram. “É impossível não pensar nele como parte da história, da música e da lenda do Café del Mar”, escreveu o mítico bar espanhol nas redes sociais.

“O José marcou uma geração de clubbers e a sua arte tocou milhões de vidas. O seu contributo para a música chill out e para o Café del Mar mudou o mundo para sempre. Será sempre recordado como pioneiro e como uma lenda de Ibiza”, refere a mesma gerência numa outra publicação.

José Padilla atuou pela última vez em Portugal em agosto de 2016, na atual Piscina Atlântica do Prainha Club, em Portimão. No mesmo ano, o DJ e produtor espanhol completou 40 anos de carreira. Em 2002, esteve nomeado para um Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Experimental.