Eleita para o Congresso com apenas 29 anos (agora já tem 31, feitos a 13 de outubro), Alexandria Ocasio-Cortez foi a mais jovem mulher a ser escolhida para o cargo — e tem feito questão de utilizar a idade em seu favor. Desta vez, para apelar ao voto nas presidenciais, a democrata escolheu uma plataforma muito pouco convencional para os atores políticos, mas incrivelmente popular entre as faixas mais jovens da população, não só americana, como mundial: pôs-se a jogar “Among Us” em direto, via Twitch, e foi acompanhada por 435 mil pessoas. Desde que a partida terminou, mais de cinco milhões já viram ou reviram o vídeo disponibilizado naquele site de streaming.

“Podem tratar-me por AOC”, disse a certa altura a política e ativista aos jogadores com que partilhou missões e que acabou por matar assim que teve oportunidade (foi a impostora numa parte do jogo). “O Mike Pence não pode chamar-me AOC, mas vocês podem!”

Depois de na passada segunda-feira ter desafiado os seus 9,2 milhões de seguidores no Twitter para jogarem consigo o jogo sensação do momento — só em setembro foram 100 os milhões de pessoas que fizeram download de “Among Us” e serão cerca de 60 os milhões que todos os dias se reúnem no jogo, desenvolvido pela InnerSloth —, Ocasio-Cortez fez umas quantas partidas-treino e na passada terça-feira à noite apresentou-se no Twitch. A congressista democrata muçulmana Ilhan Omar foi uma das pessoas que se lhe juntou (e também matou uns quantos adversários).

O objetivo de Alexandria Ocasio-Cortez foi sempre apelar ao voto nas presidenciais de 3 de novembro. Ao longo das mais de três horas que passou a jogar, foi o que fez, até quando pela frente lhe apareceram jogadores sem idade legal para votar ou naturais de outros países, que não os Estados Unidos da América: “Planeiem o voto, votem, e votem azul”, foi repetindo, entre missões. “Esta noite é realmente apenas sobre isso, e é claro que estamos aqui para votar azul.”

Amigos, impostores, bluff e vício: o que faz de “Among Us” o videojogo fenómeno de 2020?