O Presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou na rede social Facebook a entrevista completa e não editada que tinha dado ao programa televisivo 60 Minutos, em sinal de protesto com a forma como foi tratado na conversa.

O vídeo mostra Trump a ficar cada vez mais belicoso, à medida que a jornalista da CBS Lesley Stahl o confronta com vários tópicos, incluindo a sua resposta à pandemia de Covid-19, o seu declínio junto do eleitorado feminino nas zonas suburbanas, a falta de máscaras de proteção nos seus comícios ou o seu projeto para substituir o programa de saúde Obamacare.

“Vejam o preconceito, o ódio, a grosseria da parte do 60 Minutos e da CBS”, escreveu Trump, na sua conta pessoal da rede social Twitter, justificando o vídeo colocado no Facebook e referindo-se à forma como disse ter sido tratado durante a entrevista, que a estação televisiva ainda não difundiu.

Ao longo da conversa, Trump voltou a atacar o filho do seu adversário Joe Biden, com base em dados de uma reportagem do jornal New York Post, e acusou os media de serem muito brandos com o candidato democrata. E quando foi confrontado pela jornalista pelos seus constantes ataques, Trump respondeu que não estava a atacar ninguém, mas apenas a defender-se. “Estou a defender-me e a defender o lugar de Presidente”, explicou o candidato republicano, que procura um segundo mandato nas eleições de 3 de novembro.

Trump criticou por várias vezes os jornalistas e a sua irritação foi visível logo no início da entrevista, quando a jornalista lhe perguntou se ele estava preparado “para algumas perguntas difíceis”.

“Isso não é maneira de falar. Isso não é maneira de falar. Você é muito negativa”, comentou Trump, ao fim de 40 minutos de conversa, quando se levantou interrompendo a entrevista prematuramente, saindo da sala.

A estação CBS classificou a decisão de divulgar o vídeo com a entrevista — antes mesmo de o programa ser difundido, através de uma gravação feita por técnicos da Casa Branca — como uma atitude “sem precedentes”, mas assegurou que o programa iria para o ar no domingo, como estava previsto.

“A decisão sem precedentes da Casa Branca de desconsiderar o seu acordo com a CBS News e de divulgar as suas imagens não impedirá o 60 Minutos de divulgar as suas reportagens completas, justas e contextualizadas, das quais vários presidentes participaram há décadas”, disse a estação televisiva, num comunicado. A estação disse que o programa 60 Minutos “é amplamente respeitado por trazer imparcialidade, reportagem profunda e contexto informativo aos telespetadores, cada semana”.