O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, procede esta sexta-feira ao lançamento da primeira pedra da Central Solar de Metoro, uma infraestrutura orçada em 56 milhões de dólares (47 milhões de euros) e que estará localizada na província de Cabo Delgado.

A infraestrutura, a ser construída em nove meses, terá capacidade para produção, a partir de painéis solares, de 41 megawatts (MWp), o equivalente ao consumo de 150 mil pessoas, e será conectada à subestação da Eletricidade de Moçambique em Metoro, no distrito de Ancuabe, indica um documento de apresentação de projeto divulgado à comunicação social.

São acionistas da central a francesa Neoen (75%) e a Eletricidade de Moçambique (25%), sendo que o financiamento do projeto é prestado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com um empréstimo de 40 milhões de dólares (34 milhões de euros), e o remanescente pelo Governo moçambicano. Segundo o documento de apresentação do projeto, após 25 anos a infraestrutura passa para a Eletricidade de Moçambique.

Estima-se que a central crie até 380 empregos na fase de construção e invista, pelo menos, 60 mil dólares (50 mil euros) anualmente em projetos para as comunidades locais. “Uma avaliação das necessidades e dinâmicas em Metoro e em Ancuabe foi realizada em 2016, e um Plano de Desenvolvimento Comunitário preliminar foi aprovado pelo Governo do Distrito de Ancuabe em junho de 2018, com um foco sobre a área da educação”, acrescenta o documento.

A infraestrutura estará localizada a 90 quilómetros de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado (norte do país), no distrito de Ancuabe, a 150 metros da Estrada Nacional Número 1. O empreendimento está a ser erguido numa província que é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas, embora não se registem incursões destes grupos na zona onde a central estará localizada.

A violência armada em Cabo Delgado tem afetado distritos localizados mais a norte da província. Ao todo, o governo moçambicano e as organizações de socorro, nomeadamente as agências das Nações Unidas, apontam para um total de 300.000 deslocados devido ao conflito armado de Cabo Delgado. Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de mil a 2.000 vítimas.