A organização moçambicana Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) estimou esta sexta-feira que a praia de Paquitequete, em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, esteja a receber até 1.000 deslocados por dia desde sábado.

São residentes que viviam sobretudo de agricultura de subsistência nas suas terras, que tiveram de abandonar e fugir de barco, da zona norte da região, atacada por rebeldes armados.

Trata-se de uma nova vaga de deslocados, que têm ocorrido periodicamente desde que o conflito começou, há três anos, vagas que se intensificaram este ano a par do agravamento do conflito entre insurgentes e Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas.

Segundo o CDD, a primeira assistência na praia está a ser prestada pela Fundação de Caridade Tzu Chi, Programa Alimentar Mundial (PAM), Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), Kuendeleia, Kupendana e Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

As prioridades são tratar dos doentes, mitigar a fome e encontrar abrigo – tarefas cada vez mais complicadas em Pemba e arredores, uma vez que muita da população já está a acolher deslocados – que o CDD estima que cheguem aos 100.000 na zona da capital provincial, incluindo os campos de refugiados de Metuge, nos arredores.

Na quarta-feira, Armindo Ngunga, o secretário de Estado da província disse que as autoridades vão procurar atribuir terras aos deslocados para que recomecem as suas vidas.

O dirigente apontava para a chegada de 1.000 deslocados “nos últimos dias”.

Ainda segundo aquele responsável, houve registo de, pelo menos, quatro mulheres que tiveram filhos dentro das embarcações durante a viagem, tendo um dos bebés falecido.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas.

Ao todo, o Governo moçambicano e as organizações de socorro, nomeadamente as agências das Nações Unidas, apontam para um total de 300.000 deslocados devido ao conflito armado de Cabo Delgado.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de mil a 2.000 vítimas.