As empresas britânicas podem ter reivindicado de forma fraudulenta até 4,3 milhões de euros em apoios públicos durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o Gabinete Nacional de Auditoria (NAO), um órgão parlamentar independente que é responsável por fazer auditorias aos diferentes departamentos do governo central britânico, entre 5% a 10% das empresas que receberam apoios do Estado não terão usado o dinheiro devidamente.

Apesar de estarem em regime de lay-off, algumas terão obrigado os seus funcionários a trabalhar durante o isolamento. Outras terão requerido os apoios, mas não os terão passado na íntegra aos seus trabalhadores. De acordo com a Reuters, a linha de apoio à fraude recebeu dez mil queixas e num inquérito realizado pelo NAO, 9% dos inquiridos admitiu ter trabalhado durante o isolamento a pedido do seu empregador.

“Parece que a escala da fraude e erro pode ser considerável”, apontou Gareth Davies, que dirige o Gabinete Nacional de Auditoria, à Reuters.

O organismo elogiou as medidas económicas tomadas pelo governo no contexto da pandemia, mas considerou que a urgência com que estas foram aplicadas fez com que não houvesse tempo para avaliar os erros ou possíveis casos de fraude. Nesse aspeto, Gareth Davies acredita que podia ter sido feito um esforço maior para “esclarecer os funcionários de que o seu empregador estava a ser abrangido pelo esquema de licenças”.

Os números avançados pelo NAO tratam-se apenas de uma estimativa. Os valores reais só serão conhecidos no decorreu do próximo ano.