O primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, pediu desculpa aos cidadãos checos pelo aumento de casos e pela implementação de novas medidas de restrição para combater a pandemia. O pedido de desculpas, repetido por cinco vezes, aconteceu na quinta-feira durante uma conferência de imprensa, no dia em que o país ultrapassou, mais uma vez, o número máximo de novos casos diários.

Peço desculpa pelas novas novas restrições que afetarão a vida de empresários, cidadãos e trabalhadores. Peço também desculpa por ter descartado a possibilidade de isto acontecer, porque não imaginava”, disse.

As novas medidas incluem limites nas deslocações das pessoas e o encerramento de serviços não essenciais e lojas, até dia 3 de novembro. O uso de máscara passa também a ser obrigatório em todas as áreas urbanas e até nos carros.

Durante semanas, conta a CNN, Babis recusou a imposição de novas medidas de restrição, alegando a necessidade de proteger o país. Decisão que levou a uma “propagação disseminada” do vírus.

Certamente cometemos erros ao pensar no final de maio, quando finalizámos a reabertura, que a tínhamos controlado [à pandemia]”, disse o primeiro-ministro.

O país centro-europeu, que tem sensivelmente a mesma população que Portugal, está a ser severamente afetado pela pandemia desde setembro, depois de nos primeiros meses ter conseguido controlar eficazmente a situação. Chegou mesmo a ser considerado um exemplo no combate à Covid-19 por impor um confinamento precoce e o uso obrigatório de máscara.

Até agosto, o país nunca tinha atingido as 400 infeções do novo coronavírus. No entanto, atualmente é o país europeu com mais infeções por cem mil habitantes em 14 dias, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção de Doenças.

A situação na República Checa tem causado preocupação em todo o mundo. Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Roman Prymula, anunciou que a Guarda Nacional dos Estados Unidos vai enviar 28 médicos para o país. “Estamos a negociar a chegada de 28 médicos e paramédicos militares dos Estados Unidos com experiência no combate à Covid”, disse.

Deste lado do Atlântico, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou, na quinta-feira que a União Europeia vai fornecer 30 ventiladores para ajudar os hospitais checos. “Mais ajuda virá”, avisou.

A República Checa foi um dos países europeus que ultrapassou, na quinta-feira, o número máximo de casos diários, com quase 15 mil casos registados. Conta com um total acumulado de 223.065 casos e 1.845 mortes, desde o início da pandemia.