O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) precisa de um total de cerca de 7,2 mil milhões de meticais (83 milhões de euros) para fazer face à época chuvosa em Moçambique, disse esta sexta-feira à Lusa fonte da entidade.

O valor servirá para a assistência de cerca de 1,6 milhões de pessoas que poderão ser afetadas pelas calamidades durante a época chuvosa e ciclónica 2020/20201, explicou a fonte do INGC. Do valor total, o INGC já tem 800 milhões de meticais (nove milhões de euros), havendo o défice de 6,4 mil milhões de meticais (74 milhões de euros), acrescentou a fonte.

O plano de contingência do INGC, que será submetido ao Conselho de Ministros, prevê três cenários: o primeiro é de ventos fortes, inundações localizadas nas vilas e cidades e seca. O segundo cenário compreende, além de ventos fortes, inundações localizadas e seca, a ocorrência de cheias nas bacias hidrográficas e de ciclones. O último prevê a junção das calamidades do primeiro e segundo cenários adicionados à ocorrência de sismos.

Até agora, o atual período chuvoso, que começou em 1 de outubro, matou 22 pessoas e outras 16.057 foram afetadas, segundo dados anunciados pelo Governo na terça-feira. As províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e cidade de Maputo foram as mais afetadas, havendo, pelo menos, 922 casas totalmente destruídas e outras 1.704 parcialmente devastadas.

Entre os meses de outubro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral, além de secas que afetam quase sempre alguns pontos do sul do país.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre Moçambique.