A companhia aérea irlandesa Ryanair vai despedir 23 tripulantes da base do Porto, apurou o Observador. A companhia aérea atribui os despedimentos à pandemia da Covid-19, à redução de 60% dos horários de inverno e ao que diz ser o “fracasso” do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) nas negociações.

Ao Observador, fonte oficial da companhia aérea irlandesa confirmou os despedimentos. “Devido à pandemia Covid-19, à já anunciada redução de 60% nos nossos horários de inverno e ao fracasso do SNPVAC em negociar um acordo de proteção de emprego, demos início a um processo de despedimento de 23 tripulantes de cabine na base no Porto. Lamentamos a necessidade dessas reduções permanentes de postos de trabalho”, refere a mesma fonte.

Segundo apurou o Observador, alguns destes 23 trabalhadores não tinham aceitado cortes salariais (de cerca de 30%) nem nos “créditos laborais” (como os subsídios de natal e férias ou horas extraordinárias) que a empresa propôs quando retomou atividade, em julho. Em Portugal, a Ryanair aderiu ao layoff simplificado de abril até junho, com alguns trabalhadores ainda abrangidos pela medida em julho. Neste mês de outubro expirou o prazo de 60 dias durante o qual a empresa não podia despedir (para usufruir desse apoio).

Em maio, a companhia aérea já tinha dito que estava a reavaliar a operação em Portugal e admitiu avançar com despedimentos. “Anunciámos há algumas semanas que iríamos ter de reduzir cerca de 3.000 postos de trabalho em cerca de 15 a 16 mil funcionários e alguns deles provavelmente serão em Portugal, dependendo do número de aeronaves que lá tivermos [a operar]”, disse, na altura, em entrevista à Lusa, o presidente executivo da empresa, Eddie Wilson.

Ryanair admite despedimentos e redução da operação em Portugal

Em agosto, a Lusa avançou que a Ryanair tinha informado os trabalhadores de que iria desregular o regime de escalas habitual (cinco dias de trabalho e três de folga) a uma “pequena minoria” de trabalhadores que rejeitaram os cortes da empresa e iria cortar-lhes os “bónus de produtividade discricionários não contratualizados”.

Ryanair desregulou escalas dos trabalhadores que rejeitaram cortes em Portugal