O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou esta sexta-feira a violência após as eleições de domingo na Guiné-Conacri e encorajou os intervenientes a aguardarem o anúncio dos resultados oficiais.

Numa declaração divulgada pelo porta-voz, António Guterres lamentou o desfecho das eleições neste país que no domingo foi às urnas para escolher um Presidente. Nos confrontos que se seguiram às eleições, entre apoiantes da oposição e as forças de segurança, pelo menos três pessoas morreram.

O secretário-geral das Nações Unidas apelou a todas as partes para que tomem imediatamente medidas para pôr termo à violência e manifestou-se triste “com a perda de vidas e a destruição de bens”.

Na declaração divulgada pelo porta-voz, António Guterres instou “as forças de segurança a exercerem a máxima contenção neste momento sensível” e encorajou “todos os intervenientes a aguardarem o anúncio dos resultados oficiais pela Comissão Nacional Eleitoral Independente e a resolverem quaisquer potenciais disputas através de mecanismos legais estabelecidos”.

Na noite de terça-feira, a Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni), responsável pela organização das eleições na Guiné-Conacri, anunciou os primeiros resultados do escrutínio de domingo em quatro dos 38 círculos eleitorais. Dos resultados anunciados, Condé venceu, com larga margem, Diallo, tendo ultrapassado a maioria absoluta em três destes.

Ainda assim, um funcionário da Ceni alertou que não é seguro “extrapolar” estes resultados para um resultado nacional. Diallo acusou o chefe de Estado de “fazer todo o possível para alterar os resultados das urnas a seu favor”.

Condé mostrou-se, em caso de vitória, disponível para dialogar com a oposição.

No início da tarde de segunda-feira, Diallo tinha reclamado a vitória nas eleições de domingo “desde a primeira volta”, apesar de os resultados oficiais não terem sido anunciados, levantando o receio de um intensificar das tensões num país que enfrentou meses de campanhas de contestação mortífera, algo que foi criticado pela Ceni, que considerou esta proclamação “nula e sem efeito”.

Cerca de 5,4 milhões de eleitores escolheram no domingo o próximo Presidente da Guiné-Conacri, país vizinho da Guiné-Bissau, numa eleição marcada pela contestação à recandidatura de Alpha Condé e pela morte de dezenas de manifestantes.