O grupo chinês de tecnologia Huawei, um dos maiores fabricantes de telemóveis e equipamentos de telecomunicação, disse esta sexta-feira que as receitas subiram 9,9%, nos primeiros nove meses do ano, mas admitiu o impacto das sanções norte-americanas.

A Huawei Technologies Ltd. não detalhou o número das vendas no terceiro trimestre do ano, mas disse que, no conjunto, o crescimento entre janeiro e setembro ocorreu a um ritmo inferior aos 13,1% relatados no primeiro semestre do ano.

A Huawei está a lutar contra sanções dos EUA, que cortaram o acesso à maioria da tecnologia e componentes norte-americanos, num contexto de guerra comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.

A Casa Branca diz que a Huawei constitui uma ameaça e está ao serviço da espionagem chinesa, o que é negado pela empresa.

Executivos alertaram que as vendas da Huawei seriam afetadas. A empresa lançou produtos fabricados com os seus próprios ‘chips’ e outros componentes e diz que está a reduzir a sua dependência de tecnologia norte-americana.

A empresa revelou esta sexta-feira o seu mais recente telemóvel, o Mate 40, fabricado com ‘chips’ Kirin 9000, desenvolvidos pelo grupo.

As vendas, nos primeiros nove meses de 2020, subiram para 671,3 mil milhões de yuan (quase 85 mil milhões de euros), informou a empresa. O lucro líquido foi de 8%, abaixo da margem de 9,2% registada no primeiro semestre.

A empresa não deu detalhes sobre as vendas de telemóveis além-fronteiras.

Os telemóveis da empresa não têm mais acesso a mapas e outros recursos da Google, como parte das sanções norte-americanas, mas registou um crescimento drástico das vendas na China.

A participação da Huawei no mercado global de telemóveis aumentou para 19,6%, até junho, face a 17,7% no mesmo período do ano passado, segundo a consultora Canalys.

Isto foi impulsionado pelo crescimento no mercado chinês, onde as vendas da Huawei aumentaram 32%, para 14,5 milhões de aparelhos.