As forças armadas australianas foram acusadas esta quarta-feira de matarem um prisioneiro afegão, por, alegadamente, não terem espaço na aeronave para o transportarem, divulgou um chefe de tripulação de um helicóptero do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos à ABC News. O caso data de 2012 e fazia parte de uma campanha conjunta entre a Austrália e os EUA com o objetivo de desmantelar redes de tráfico de droga que financiavam o grupo islâmico Talibã, no Afeganistão.

“Nós tínhamos conseguido desmantelar a rede de tráfico de droga e os australianos tinham feito um trabalho fantástico”, contou o militar norte-americano, que desempenhava a função de atirador. Acrescentou mesmo que as forças militares australianas conseguiram prender os prisioneiros afegãos: “Acabámos por vê-los a agarrar e a algemar os homens”.

A partir daquele momento, os sete afegãos responsáveis pelo tráfico de droga foram feitos prisioneiros — e levados para a aeronave norte-americana. No entanto, só havia espaço para seis. O chefe de tripulação recorda: “O piloto disse que eram demasiadas pessoas e que não poderíamos levar tantos passageiros”. Após um momento de silêncio, diz o norte-americano, ouviu-se um tiro. Um dos membros das equipas australianas comentou depois: “Agora só temos seis prisioneiros”.

Este atitude indignou os oficiais norte-americanos. “Era a primeira vez que víamos alguma coisa que não podíamos justificar moralmente“, revelou o membro do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, que acrescentou que aquele momento “não era uma decisão que tinha de ser tomada no calor do momento”: “Foi uma decisão deliberada que violou as regras da guerra”.

Em resposta a estas acusações, um porta-voz das Força Armadas da Austrália preferiu não comentar o caso, apurou um órgão de comunicação australiano, que ainda dá conta que há várias investigações a decorrer dentro da Força de Defesa Australiana sobre alegados crimes de guerra no Afeganistão. Não é certo, contudo, que este caso concreto esteja sob investigação.