Por ocasião do GP de Portugal, que marcou o regresso ao nosso país da disciplina máxima do desporto automóvel, a equipa da Renault na F1 desafiou-nos para uma breve conversa com os dois pilotos, o francês Esteban Ocon e o australiano Daniel Ricciardo, sobre a corrida de Portimão, sobre o carro e sobre o futuro. A curiosidade era grande e aumentou depois de Ocon ter revelado que Alonso, o piloto espanhol e duas vezes campeão do mundo que vai assumir na próxima época o lugar de Ricciardo, já está a trabalhar no desenvolvimento do novo carro e dá conselhos regulares a Ocon, o seu próximo colega de equipa.

Depois de confessar que o traçado do Autódromo Internacional do Algarve “era espectacular e que parecia uma montanha russa”, Ocon admitiu que sempre teve boas relações com os seus colegas de equipa e até com outros pilotos, como Alonso, com quem trocou capacetes em 2017, quando o francês conduzia para a Force India/Mercedes e o espanhol para a McLaren/Honda. Segundo ele, Alonso está muito motivado e já empenhado no desenvolvimento do carro para 2021. Apesar de ainda não pertencer oficialmente à equipa, “está em regular contacto” com Ocon, “trocando mensagens e dando conselhos”, certamente para ajudar a Renault a alcançar o 4º posto no campeonato do mundo de construtores.

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Mas se Ocon reconhece a maior experiência de pilotos como Ricciardo ou Alonso, que vê “como lendas e como exemplos a seguir”, o jovem francês faz igualmente questão de recordar que é “muito competitivo” e o seu objectivo é “bater todos os pilotos, mesmo os mais experientes”. Sobre o que separa o seu Renault R.S.20 dos rivais da Mercedes e Red Bull, Ocon afirma que “o motor melhorou muito este ano e vão estar disponíveis nos próximos grandes prémios melhorias para o chassi”.

Ao contrário do francês, Ricciardo já conhecia o traçado de Portimão, uma vez que já ali disputou uma prova. Só que ao volante de um F3 e há 11 anos. Dessa experiência ficou-lhe a recordação de ser “uma pista similar a Mugello, muito rápida e com muitas subidas e descidas”. O piloto, que é apontado como o mais popular na F1, acredita que esse estatuto se deve à paixão que tem pela competição e à dedicação que coloca nas suas participações, que é reconhecida pelo público. Mas acreditamos que os motivos devem ser procurados junto da simpatia natural e do sorriso tão constante como contagiante.

Sobre o R.S.20, Ricciardo – que em 2021 vai conduzir para a equipa McLaren – afirmou que o carro evoluiu muito, “mas continua a faltar-lhe um pack que garanta um maior apoio aerodinâmico, sem incrementar a resistência ao avanço”. Ou seja, um chassi com muito apoio aerodinâmico sem necessariamente recorrer a maior incidência nas asas, que roubam velocidade em recta.

A corrida no Algarve não correu de forma ideal para a equipa Renault, a braços com a dificuldade em encontrar o melhor equilíbrio para o chassi devido a sessões de treinos com muitas bandeiras vermelhas. Isso não impediu ambos os pilotos de ficarem no top 10, com Ocon a ser 8º e Ricciardo 9º. O francês, que em Portugal bateu o seu colega de equipa e piloto nº1 pela segunda vez este ano, explicou que a 8ª posição se ficou a dever ao facto de ter conseguido realizar 53 voltas, das 66 da corrida, com os pneus médios, garantindo que seria capaz de fazer toda a prova sem trocar de pneus, se o regulamento a isso não obrigasse.