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Darwin, o empregado da semana que cumpre a teoria do ketchup (a crónica do Benfica-Belenenses SAD)

Não chegou ao golo nos primeiros jogos mas já leva quatro em duas partidas e estreou-se (finalmente) a marcar no Campeonato. Darwin foi o melhor da vitória do Benfica frente ao Belenenses SAD (2-0).

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O avançado uruguaio aumentou a vantagem encarnada a um quarto de hora do apito final

Getty Images

O avançado uruguaio aumentou a vantagem encarnada a um quarto de hora do apito final

Getty Images

Esta segunda-feira, meia-hora antes de o Benfica receber o Belenenses SAD na Luz, o AC Milan recebia a Roma de Paulo Fonseca em San Siro. Ou seja, esta segunda-feira, entre Milão e Lisboa, jogavam as duas únicas equipas das oito principais ligas europeias que ainda só sabem o que é ganhar nos respetivos Campeonatos: AC Milan e Benfica. Com quatro vitórias consecutivas na Liga, os encarnados só escorregaram mesmo com o PAOK, na eliminação da Liga dos Campeões, e desde aí venceram todos os jogos que disputaram esta época.

Ainda assim, o Benfica entrou na semana passada num ciclo complexo de compromissos, entre Campeonato e Liga Europa. A equipa de Jorge Jesus jogou na quinta-feira com o Lech Poznan, encontrava esta segunda-feira o Belenenses SAD, defronta o Standard Liège na próxima quinta, visita o Boavista no Bessa novamente na segunda, recebe o Rangers na Luz na outra quinta e cruza com o Sp. Braga no domingo seguinte. Ao todo, são seis jogos em 18 dias, três jornadas do Campeonato e uma ronda inteira da fase de grupos da Liga Europa. Por isto mesmo, tornava-se pertinente a possibilidade de o treinador português gerir os habituais titulares.

Ficha de jogo

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Benfica-Belenenses SAD, 2-0

5.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Benfica: Vlachodimos, Grimaldo (Nuno Tavares, 73′), Otamendi, Vertonghen, Gilberto, Weigl, Taarabt (Pizzi, 58′), Rafa (Pedrinho, 78′), Everton Cebolinha (Samaris, 78′), Darwin, Seferovic (Waldschmidt, 58′)

Suplentes não utilizados: Helton Leite, Diogo Gonçalves, Jardel, Gonçalo Ramos

Treinador: Jorge Jesus

Belenenses SAD: André Moreira, Rúben Lima, Henrique, Danny, Tomás Ribeiro, Cauê (Bruno Ramires, 63′), Afonso Taira (Robinho, 82′), Tiago Esgaio (Afonso Sousa, 73′), Miguel Cardoso, Silvestre Varela (Richard, 82′), Cassierra (Edi Semedo, 63′)

Suplentes não utilizados: Kritciuk, Diogo Calila, Francisco Teixeira

Treinador: Petit

Golos: Seferovic (6′), Darwin (75′)

Ação disciplinar: nada a registar

“A minha forma de pensar é nunca olhar para as minhas decisões como uma forma de fazer descansar os jogadores. Nos 14 meses em que estive no Brasil, vocês estavam atentos à minha carreira. Eles jogam de três em três dias e estavam habituados a mudar tudo de um jogo para o outro. Fiz-lhes ver que não era preciso mudar tudo, e é isso que vou continuar a fazer. Claro que com a extensão dos jogos já é diferente. Há fatores de fadiga em que temos de ter cuidado. Neste momento é o terceiro jogo seguido e vou ver se há um, dois ou três jogadores que possam estar carregados, vou ver com o departamento médico, que é muito importante nas decisões do treinador. Se mudar, não será muito, dois ou três jogadores, no máximo”, avisou Jorge Jesus na conferência de imprensa de antevisão ao dérbi lisboeta. Cerca de uma hora antes do apito inicial na Luz, o onze inicial dos encarnados confirmou a teoria do técnico.

Em relação ao jogo na Polónia, contra o Lech Poznan, Jesus tirava Gabriel, Pizzi e Waldschmidt e lançava Weigl, Rafa e Seferovic. O médio alemão voltava ao onze depois de só ter sido titular na primeira partida oficial da temporada, contra o PAOK, e encaixava no meio-campo onde se mantinham Taarabt e Cebolinha. No aquecimento, assim como na ficha de jogo, foi ainda possível confirmar uma das indecisões que ainda pairavam na antecâmara da partida: Otamendi, central argentino que chegou ao Benfica na reta final do mercado de transferências, ia novamente ser o capitão de equipa depois de já ter envergado a braçadeira na segunda parte na Polónia. Taarabt, noutra surpresa, era o sub-capitão.

Do outro lado e em comparação com o nulo contra o Moreirense, Petit só tirava Cafú Phete do onze inicial: um dado importante, já que o Belenenses SAD anunciou que um jogador do plantel testou positivo para a Covid-19 nos testes realizados 48 horas antes do jogo, sem revelar a identidade do atleta. Contra os azuis, Jorge Jesus podia ainda chegar à quinta vitória consecutiva no arranque da Liga e estabelecer aí um novo recorde pessoal no que toca a inícios do Campeonato.

O Benfica entrou muito bem no jogo e orquestrou dez minutos de total controlo em que não deu um centímetro de espaço ao Belenenses SAD. Gilberto foi o primeiro a assustar André Moreira, com um remate de longe (2′), mas os encarnados só precisaram de mais uma oportunidade para abrir o marcador: Rafa apareceu na esquerda da grande área, deu em Grimaldo mais no corredor e o lateral esquerdo cruzou para o segundo poste, onde Seferovic cabeceou certeiro para dentro da baliza e chegou aos quatro golos esta época (6′). A equipa de Jorge Jesus não tirou o pé do acelerador nos instantes seguintes e podia ter aumentado a vantagem — primeiro com um remate de Cebolinha que André Moreira defendeu com o pé (9′), depois com um novo cabeceamento de Seferovic que passou ao lado (10′) — mas acabou por aliviar a pressão elevada nos minutos consequentes.

O Belenenses SAD reagrupou-se no setor defensivo e sacudiu a pressão adversária, conquistando alguma da posse de bola para equilibrar o jogo e torná-lo mais encaixado. O Benfica só voltou a aproximar-se da baliza com um remate de Darwin à figura (26′) e do outro lado acabou por ser Silvestre Varela a assinar a primeira oportunidade da equipa de Petit, ao atirar ao lado (33′). Logo depois, Miguel Cardoso também rematou ao lado de fora de área (35′) e o mesmo Varela conseguiu colocar a bola no interior da baliza de Vlachodimos, ainda que o lance tenha sido anulado por fora de jogo do avançado português (35′).

Ao intervalo, o Benfica estava a ganhar e a ganhar bem mas o Belenenses SAD conseguiu nos últimos minutos da primeira parte atingir um ligeiro ascendente que só não teve outras consequências devido à falta de eficácia dos jogadores azuis e ao fora de jogo de Varela. Do lado dos encarnados, passava a ideia que a dinâmica ofensiva da equipa estava pouco horizontal, a passar demasiado por um corredor central em overbooking e a não explorar as alas — onde Gilberto e Grimaldo até iam sendo dos elementos mais inconformados e criativos do conjunto.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Belenenses SAD:]

Na segunda parte, nenhum treinador fez qualquer alteração logo à partida e o jogo manteve-se algo semelhante àquilo que tinha sido a última metade da primeira: o Benfica com mais bola mas sem controlar, o Belenenses SAD na expectativa mas a mostrar que podia causar problemas na hora da transição ofensiva. Cebolinha teve a primeira ocasião depois do intervalo, ao cabecear ao lado (52′), e Miguel Cardoso respondeu do outro lado com um cruzamento rasteiro que Vlachodimos segurou (53′). Ciente das dificuldades que o Belenenses SAD poderia causar caso a vantagem mínima se prolongasse, Jesus decidiu tirar Seferovic e Taarabt e lançar Waldschmidt e Pizzi para renovar a fase mais adiantada da equipa.

O impacto do avançado alemão foi praticamente imediato, até pela dupla assinalável que forma com Darwin, e Waldschmidt ficou perto de aumentar a vantagem encarnada com um remate que passou ao lado (63′). O avançado uruguaio, impulsionado pela entrada do colega de equipa, colocou a bola no interior da baliza mas foi apanhado em fora de jogo (65′), atirou rasteiro para uma enorme defesa de André Moreira (69′) e só precisou de chegar à terceira oportunidade consecutiva para conseguir estrear-se a marcar no Campeonato. Waldschmidt, claro, lançou Darwin com um passe vertical e o avançado aproveitou uma saída displicente do guarda-redes do Belenenses SAD, que foi para lá da grande área, para o tirar da frente e atirar para a baliza deserta (75′).

Antes disso, Grimaldo já se tinha lesionado gravemente e Nuno Tavares teve de entrar, no que poderá ser mais uma dor de cabeça para Jorge Jesus, que recentemente já ficou sem André Almeida também devido a lesão. Pedrinho e Samaris ainda entraram — o médio grego cumpriu os primeiros minutos da época — mas o resultado não voltou a alterar-se, com o Benfica a garantir a quinta vitória em cinco jornadas na Liga. Algo inédito, agora, nas oito principais ligas europeias, já que o AC Milan empatou esta segunda-feira com a Roma de Paulo Fonseca.

O Benfica voltou a ganhar, apesar de não ter sido brilhante, repôs os cinco pontos de vantagem para FC Porto e Sporting e mantém-se na liderança isolada do Campeonato. Jorge Jesus atingiu um recorde pessoal, ao registar o melhor arranque da carreira na Liga, mas a noite foi mesmo de Darwin — mais uma vez. Depois do hat-trick ao Lech Poznan a meio da semana passada, o avançado uruguaio voltou a marcar, chegou aos quatro golos em dois jogos depois de não conseguir fazer golo nas primeiras partidas da época e é um dos elementos mais importantes da equipa. Joga, faz jogar, batalha e corre e é com Waldschmidt que se sente mais confortável e acaba por potenciar as capacidades. Um “big jogador”, como diz Jesus.

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