No final de julho, Bernardo Silva mostrou que não é um simples antigo jogador do Benfica. Mostrou que acima disso, é sócio do Benfica, adepto do Benfica, apoiante do Benfica. E que gosta de ter voz ativa sobre a atualidade do clube. Na altura, nas redes sociais, o jogador do Manchester City criticou a inexistência de debates televisivos entre os candidatos à presidência encarnada. Três meses depois e a dois dias das eleições, Bernardo Silva voltou a usar o Twitter para deixar uma posição em relação ao ato eleitoral. Uma posição onde se percebe notoriamente que o internacional português defende uma mudança na liderança do Benfica — que passa por João Noronha Lopes.

“Não sei se estarei na posição mais adequada para falar sobre as eleições do Benfica. Ainda assim gosto e vivo demasiado o meu clube para deixar de dar a conhecer aquilo que penso. Os benfiquistas merecem sabê-lo. O Benfica merece senti-lo”, começa por dizer Bernardo, que lembra depois que o clube “é dos sócios, dos adeptos e dos simpatizantes” e “nunca será de um jogador, dirigente ou presidente por muito que ganhe pelo clube, ou por muito que ganhe através do clube”. “Devemos sempre apoiar o Benfica, mas nunca e em circunstância alguma fazê-lo sem a exigência e responsabilidade que ser do Benfica acarreta”, acrescenta, sublinhando que os sócios e adeptos têm o “dever” de ser “críticos e exigentes com quem governa o clube” para depois puxar a fita do tempo atrás.

“A recuperação financeira e desportiva dos últimos anos é de enaltecer. Na minha infância, sim, eu lembro-me dos fatídicos anos 90 e de Vale e Azevedo, vi um Benfica destruído… Agradeço ao Manuel Vilarinho por ter salvado o clube e a Luís Filipe Vieira por ter reconstruído o Benfica e fê-lo de maneira notável. Construiu um dos melhores Centros de Estágio do mundo, possibilitando igualmente a existência de uma das melhores formações do mundo, trazendo-nos proveito desportivo e financeiro ano após ano. Estamos muito gratos por isso. Assim como por todas as inovações que tornaram o Benfica num exemplo a seguir por esse mundo fora. É um trabalho que se deve enaltecer e, de certeza, que todos os benfiquistas o reconhecem”, explica o avançado do Manchester City, que considera depois que “o contentamento, relaxamento, falta de ambição e exigência” dos últimos anos nos encarnados não são “razoáveis”.

Em seguida, Bernardo Silva elenca uma série de críticas à administração de Luís Filipe Vieira, incluindo a oportunidade perdida do pentacampeonato, em 2017/18, devido a um “claro relaxamento e falta de investimento”; um Benfica “sem capacidade para competir na Europa”; a saída dos “melhores produtos da formação”; a associação do clube a “centenas de processos judiciais e de corrupção”; os “esquemas, as mentiras, tentativas de aprovação de OPA ilegais” e ainda “um claro assalto aos cofres do clube para benefício de singulares”; e também a “falta de transparência e falta de respeito pelos sócios”, exemplificadas com “agressões e insultos em Assembleias-Gerais” e “tentativas de silenciar, impedir e rebaixar sócios e adeptos com opiniões e ideias que não correspondem às da atual Direção”.

Já perto do fim o comunicado, o jogador da Seleção Nacional, que deixou os encarnados em 2015, deixa o repto: “Acredito genuinamente que o Benfica merece e precisa de uma mudança”. “Uma mudança para melhor e que consiga voltar a meter o Benfica num patamar internacional. Mais ambição, seriedade, transparência e competência. E eleições é a melhor forma de nos certificarmos que o Benfica fica no caminho certo. Que ganhe o melhor candidato, cá estarmos para apoiá-lo, sempre com espírito crítico e com a exigência que ser do Benfica impõe”, termina Bernardo Silva.