A Assembleia Municipal do Porto aprovou esta segunda-feira a permuta de um terreno entre a autarquia e a Liga Portuguesa de Futebol, com a maioria dos partidos a considerar que o projeto é vantajoso para a cidade.

Reunidos esta segunda-feira por videoconferência, os deputados da Assembleia Municipal do Porto aprovaram, com o voto contra dos eleitos da CDU e a abstenção da deputada do PAN, a proposta de permuta de um terreno entre a Câmara do Porto e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

A proposta prevê permutar as atuais instalações da LPFP, inauguradas em 1999 na Rua da Constituição, por uma parcela de terreno de que a Câmara do Porto é proprietária, numa rua transversal à de Requesende, em Ramalde, para que a Liga ali possa construir uma nova e maior sede.

Para o deputado do PS, Alfredo Fontinha, esta foi “uma boa decisão” da Câmara do Porto e o novo edifício será “uma mais-valia para a cidade”, destacando, contudo, que a cedência do espaço “obrigará à realização de projetos”, entre eles, a recuperação da área verde da Ribeira da Granja.

Já o deputado social-democrata, Francisco Carrapatoso salientou que este é “um investimento efetivo na cidade” do Porto, tanto a nível financeiro, como de criação de emprego e promoção do município “como uma central do futebol profissional”.

“Não podemos dar-nos ao luxo de perdermos mais sedes de instituições nacionais”, observou o deputado do PSD, acrescentando que “apesar de tudo, este é um investimento barato”.

Apesar de ter sido “com muitas dúvidas” que o Bloco de Esquerda viu as notícias sobre a permuta de terrenos, o deputado Pedro Lourenço disse ser “sensível ao argumento da sua importância para a cidade”, deixando, contudo, alertas na “apreciação do projeto urbanístico” para que o mesmo “não colida com intenções mais ambiciosas”.

Já o deputado da CDU Rui Sá considerou a proposta “uma vergonha”, afirmando que a mesma é o reflexo da “má gestão de dinheiros públicos”.

Em resposta à CDU, o deputado do movimento ‘Rui Moreira: Porto, O Nosso Partido’, André Noronha, afirmou os argumentos usados pela CDU eram “atirar areia para os olhos das pessoas”.

Como o sr. Presidente disse na reunião [de executivo], às vezes, fico envergonhado com alguma discussão que se faz no Porto”, destacou o líder do movimento independente.

Ainda que “reconhecendo a importância de a sede da LPFP estar na cidade do Porto”, a deputada do PAN, Bebiana Cunha, disse ter “reservas” relativamente ao projeto e alertou para “algumas preocupações”, nomeadamente, a preservação dos espaços verdes e a garantia de que os “aspetos condicionantes” indicados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) eram tidos em conta.

Por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia de Ramalde [onde se situará a nova sede da Liga de Futebol], António Gouveia, afirmou ter “saído o euromilhões” à freguesia e que o projeto é “espetacular em todos os sentidos”, principalmente numa altura “em que a economia está em desalinho” devido à Covid-19.

“Este não é um projeto especulativo, é um projeto de ordem social que vai engrandecer a cidade do Porto”, afirmou.

Na reunião do executivo, a 12 de outubro, Rui Moreira afirmou sentir-se envergonhado com a discussão, quando questionado sobre as contrapartidas de 642 mil euros que a Câmara do Porto pretende assumir para que a sede da Liga de Futebol se mantenha na cidade.