O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, pediu esta terça-feira um plano nacional contra o empobrecimento, assinalando que a pobreza das famílias monoparentais se agudizou com a pandemia da Covid-19 e que se anteveem “períodos muito difíceis”.

Eugénio Fonseca falava aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, após uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao qual transmitiu uma iniciativa conjunta da Cáritas com as cooperativas agrícolas e com as caixas de crédito agrícola que visa doar apoio alimentar – em dinheiro ou alimentos – às famílias e instituições mais carenciadas.

“Vamos entrar em períodos muito difíceis”, afirmou Eugénio Fonseca, manifestando a sua preocupação com os jovens que ficaram sem rendimentos ou ficaram com rendimentos mais baixos, fruto da falta de trabalho por causa da pandemia, e tiveram de regressar à casa dos pais.

O dirigente da Cáritas Portuguesa advertiu também que “a pobreza das famílias monoparentais acentuou-se” com a pandemia. “Há famílias que nos procuram para pagar água, luz e gás”, exemplificou, sublinhando que “a crise socio-económica” resultante da covid-19 “foi abrupta e agressiva” e fez e emergir a “pobreza envergonhada”.

Eugénio Fonseca defende um plano nacional contra o empobrecimento, mais do que um plano de luta contra pobreza, para que as pessoas possam continuar a ter acesso à educação, à saúde e à habitação, e avisou que a “espiral do endividamento” pode ser “altamente perturbadora”.

O Governo criou uma comissão de coordenação para elaborar, até 15 de dezembro, a estratégia nacional de combate à pobreza para “mitigar as desigualdades” entre os cidadãos, em tempos de pandemia, segundo um comunicado divulgado em meados de outubro pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O presidente da Cáritas Portuguesa reafirmou hoje que 50 mil pessoas pediram ajuda à organização no primeiro semestre de 2020, um aumento de 48% face ao período homólogo de 2019, com o “pico maior” de pedidos a registar-se entre abril e maio devido à pandemia. Do total de pedidos, a Cáritas atendeu cerca de 29 mil.