A vacina russa contra a Covid-19 foi a primeira a ser anunciada, em agosto, mas atrasos nos testes podem levar a que não seja a primeira a ser concluída. Em comparação, as vacinas norte-americanas estão muito mais avançadas na fase de testagem, refere a CNN.

Vladimir Putin anunciou o desenvolvimento da “Sputnik V” a 11 de agosto. Na altura, o presidente russo mostrou-se confiante de que a vacina começaria a ser produzida em setembro e que estaria disponível no mercado em janeiro de 2021. Foi também revelado que 2o países já tinham feito uma encomenda e foram vários os que desde então concordaram em realizar testes, nas fases 2 e 3, dentro dos seus territórios.

Apesar da rapidez com que todo o processo avançou, o que gerou receios entre a comunidade científica internacional, a vacina russa pode estar mais atrasada do que seria de esperar. Das 17 mil pessoas que se ofereceram para participar na fase 3 de testagem, apenas 6 mil receberam até agora a segunda dose da “Sputnik V”, revelou Alexander Gintsburg, diretor do Instituto Gamaleya, que está a desenvolver a cura para a Covid-19, à CNN.

Em comparação, a segunda dose da primeira vacina norte-americana a entrar na fase 3, desenvolvida pela empresa de biotecnologia Moderna, já foi aplicada a 25.650 dos 30 mil participantes. Por outro lado, a vacina da BioNTech e da Pfizer já foi testada uma segunda vez em 35.771 das 44 mil pessoas que estão a participar no estudo, de acordo com os dados fornecidos esta semana à CNN.

Konstantin Chumakov, virologista na Global Virus Network, uma rede internacional de médicos virologistas, defende que a vacina russa está “dois ou três meses atrasada”. “A Moderna e a Pfizer já acabaram o recrutamento de pacientes e estão agora numa fase de observação, a olhar para a incidência da doença em indivíduos imunizados”, disse à CNN.

Chumakov acredita que a “Sputnik V” pode até nem ser eficaz contra a Covid-19. “Este instituto desenvolveu vários protótipos de vacinas. Não lhe chamaria vacinas.” Como explica a CNN, o rápido desenvolvimento da vacina russa pelo Gamaleya deve-se a dois dos seus produtos, vacinas contra o Ébola e a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV). O primeiro foi aprovado para testagem em apenas 2 mil pessoas.

De acordo com o especialista, nenhuma das vacinas foi autorizada pelos organismos internacionais ou testada suficientemente para se poder dizer que é eficaz. “Acho que este instituto não desenvolve uma vacina há 30 anos. São muito bons a desenvolver protótipos”, considerou ainda Chumakov, acrescentando que não acredita “que tenham qualquer experiência a levar os produtos para o mercado”.