Alunos da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, demonstraram que o uso do plástico reciclado pode ir para lá do que sugerem as actuais propostas no mercado. Numa altura em que grande parte dos veículos eléctricos reclama o uso de materiais reciclados nos revestimentos interiores, com isso querendo estar associadas a propostas mais sustentáveis, os estudantes holandeses foram mais além para provar que reaproveitar o plástico retirado dos oceanos é bom, mas também é possível dar uma segunda vida a muitos outros resíduos, incluindo o lixo doméstico que vai parar aos aterros sanitários.

O veículo que materializa esta ideia é chamado de Luca e, segundo a responsável pelo projecto, Lisa van Etten, o principal objectivo deste trabalho é demonstrar como é viável reutilizar parte dos 2,1 mil milhões de toneladas de resíduos gerados anualmente. Isto porque praticamente todo o Luca é feito a partir de “lixo”, do chassi à carroçaria, passando pelos interiores.

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Por exemplo, de acordo com a instituição académica, os dois bancos do Luca são revestidos com uma fibra de coco e crina de cavalo, misturados com PET reciclado mas com um toque tipo camurça, para demonstrar que a mobilidade eléctrica não deve estar dissociada da reutilização de materiais que, de outra forma, pouca ou nenhuma utilidade teriam.

Graças ao “engenhoso” processo de concepção, o eléctrico holandês pesa apenas 360 kg sem o pack de baterias, as quais, por sua vez, pesam 60 kg e podem retirar-se para serem substituídas por outras “quando estiver disponível uma tecnologia melhor”.

O coupé monta motores eléctricos para accionar as rodas traseiras, atinge uma velocidade máxima de 90 km/h e tem uma autonomia estimada em 220 km. Quando terminar o seu ciclo de vida, o seu destino final será, também ele, a reciclagem.