O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, destacou esta terça-feira o papel dos assessores de género, considerando que “têm tido eco” nos ramos das Forças Armadas e que o caminho para a igualdade no setor “nunca estará totalmente acabado”.

Gomes Cravinho discursava esta tarde no salão nobre do ministério, em Lisboa, numa cerimónia em que quatro mulheres militares foram condecoradas a propósito do 20º aniversário da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que integra a agenda “Mulheres, Paz e Segurança”.

No seu discurso, o ministro destacou “o papel dos assessores de género dos ramos e do Estado-Maior-General das Forças Armadas” (medida integrada no Plano Sectorial para a Igualdade da Defesa Nacional 2019-2021), salientando que “o seu trabalho junto dos chefes militares e dos quadros superiores do Ministério da Defesa Nacional tem tido eco nas suas chefias e dá continuidade às boas práticas internacionais”.

Admitindo que o trabalho para a igualdade de género no setor “nunca estará totalmente acabado”, o membro do executivo sublinhou a importância de “integrar a perspetiva de género de forma transversal em todas as ações da Defesa Nacional”, sendo recentemente obrigatória a formação neste âmbito “em todos os cursos de formação e promoção, bem como durante a fase de aprontamento das forças nacionais destacadas”.

Gomes Cravinho salientou igualmente a indicação, pela primeira vez, de um assessor de género integrado no contingente português da Missão de Treino da União Europeia na República Centro-Africana (EUTM/RCA). “Trata-se neste caso de um militar homem, com toda a naturalidade, demonstrando deste modo a relevância deste trabalho para as Forças Armadas como um todo, e não apenas para os 11% de militares do sexo feminino”, apontou.

Em declarações à agência Lusa, no final da cerimónia, Gomes Cravinho revelou que as Forças Armadas estão quase a atingir os 10% de participação feminina em forças nacionais destacadas, no âmbito de missões das Nações Unidas, um dos objetivos da resolução 1325.

“Creio que este ano nós vamos conseguir atingir os objetivos que foram expressos na [Resolução] 1325 para percentagens de mulheres nas nossas forças nacionais destacadas, estamos próximos já de atingir e pedi esse esforço adicional aos chefes dos ramos para que durante este ano ou inicio de 2021 atinjamos os objetivos de 10% de participação de mulheres nas missões das Nações Unidas”, adiantou.

Sublinhando o “empenhamento dos chefes militares” na implementação das medidas para a igualdade de género e o “número crescente” de candidatas mulheres às Forças Armadas, para o ministro este é um “reconhecimento de que a sociedade está a mudar”.

Na cerimónia foram condecoradas quatro militares dos três ramos das Forças Armadas, entre elas, a Tenente-Coronel Maria Alice Pereira, de 82 anos, que integrou voluntariamente a Força Aérea em 1974 e foi a primeiro militar a representar Portugal no Committee of Women in NATO Forces, na década de noventa.

Com a Resolução 1325, aprovada em outubro de 2000, o Conselho de Segurança das Nações Unidas abordou pela primeira vez os impactos específicos de género nos conflitos, nomeadamente a importância da participação das mulheres em todos os níveis da tomada de decisão, incentivando a sua participação no reforço da construção da paz através da prevenção e resolução de conflitos.