O presidente do Farense, João Rodrigues, disse esta segunda-feira que a arbitragem polémica do encontro de domingo contra o Rio Ave, derrota algarvia por 1-0, “envergonha o futebol português”.

“O que se passou ontem (domingo) no jogo entre o Sporting Clube Farense e o Rio Ave FC envergonha o futebol português e frustra aqueles que, apenas com muito esforço, ajudaram em menos de 48 horas a servir de exemplo para todo o país”, referiu o dirigente, em carta aberta publicada nas redes sociais do emblema de Faro.

Em causa, está uma decisão do juiz portuense Manuel Oliveira, ainda no primeiro minuto do jogo da quinta jornada da I Liga de futebol. O médio Amine desmarcou Ryan Gauld, que se antecipou ao guardião do Rio Ave e tocou a bola antes do choque entre os dois jogadores, mas o árbitro marcou falta do médio escocês antes de a bola entrar na baliza, inviabilizando a análise do videoárbitro.

O treinador do Farense, Sérgio Vieira, explicou na conferência de imprensa após a partida, que o árbitro terá reconhecido o erro em conversa com os responsáveis do 18.º e último classificado da I Liga, na qual soma apenas um ponto. “Ele pediu desculpa, porque se precipitou a apitar antes [de a bola entrar na baliza]. Houve muita precipitação nesse e noutros lances. [Reconheceu] logo ao intervalo, que se precipitou e errou ao anular o lance”, disse o técnico.

Na carta aberta divulgada esta segunda-feira, o presidente do Farense frisa que a decisão polémica prejudicou o clube depois de este ter promovido um dos testes-piloto para a presença de público em encontros de futebol, com 830 espetadores nas bancadas do Estádio Algarve.

“Pediram-nos trabalho e nós dissemos sim. Pediram-nos competência e nós estivemos lá. Por isso, que este trabalho e honestidade sejam reflexo de toda uma indústria e não apenas apontamentos de alguns poucos. Que se lembrem que há mundo para cá do Tejo e que o futebol é de todos nós. Que se saiba que estamos cá. O futebol é nosso. A indústria é dos outros”, frisou João Rodrigues.

Considerando que o Farense regressou “a um lugar que é seu por natureza”, após 18 anos de ausência, “na raça, na competência, no trabalho e na transparência”, o dirigente recusou que o clube assuma um lugar de submissão.

Regressámos pelo compromisso, afeto e fidelidade de quem nunca nos largou. Contudo, nunca seremos ingénuos. No Sporting Clube Farense não abdicaremos nunca do que nos move. Não seremos nunca submissos. Não hesitaremos nunca em defender até ao limite aquilo que são os interesses deste clube e das suas gentes, destacou o presidente do emblema de Faro.

O Farense ocupa o 18.º e último lugar da I Liga, com um ponto em 15 possíveis, e no próximo sábado desloca-se ao terreno do Belenenses SAD.