3.750 adeptos. Cerca de 7,5% da lotação total do Estádio do Dragão. Esta terça-feira, 3.750 adeptos voltavam ao Dragão, voltavam ao estádio do FC Porto e voltavam a ver a equipa de Sérgio Conceição ao vivo. Depois de uma retoma jogada sempre em recintos vazios, de um arranque de Campeonato e de Liga dos Campeões também com as bancadas despidas, 3.750 adeptos já faziam toda a diferença e mostraram isso mesmo assim que os dragões entraram em campo para o período de aquecimento.

Com apenas uma vitória nos últimos quatro jogos, o FC Porto arrancava para a receção ao Olympiacos com a vontade de alcançar os primeiros pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões, na sequência da derrota em Inglaterra com o Manchester City na semana passada. E na sequência das saídas de Danilo e Alex Telles, já na reta final do mercado de transferências, Sérgio Conceição passou a apresentar um sistema tático diferente — com o qual, segundo garantiu na antevisão da partida, a equipa está “confortável”.

Ficha de jogo

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FC Porto-Olympiacos, 2-0

Fase de grupos da Liga dos Campeões

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Daniel Siebert (Alemanha)

FC Porto: Marchesín, Manafá, Pepe, Mbemba, Zaidu, Sérgio Oliveira (Romário Baró, 88′), Uribe, Fábio Vieira (Nakajima, 60′), Corona (Evanilson, 69′), Marega, Otávio (Grujic, 69′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Diogo Leite, Loum, Nanu, Loum, João Mário, Felipe Anderson, Taremi, Toni Martínez

Treinador: Sérgio Conceição

Olympiacos: José Sá, Rafinha, Rúben Semedo, Cissé, Holebas (Rúben Vinagre, 70′), Bouchalakis (Pêpê, 84′), M’Vila, Valbuena (Hassan, 84′), Masouras (Fortounis, 53′), Randjelovic (Bruma, 70′), El-Arabi

Suplentes não utilizados: Karargyris, Tzolakis, Vrousai, Drager, Sourlis, Papadopoulos

Treinador: Pedro Martins

Golos: Fábio Vieira (11′), Sérgio Oliveira (85′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Corona (61′), a Fortounis (80′), a Uribe (82′), a Manafá (90′)

“Se não sentisse que a equipa não estava confortável, não o faria. Os jogadores têm que se sentir confortáveis dentro do sistema. Se perguntar que esta forma de atuar tem sido recorrente, habitual, não tem, mas com o trabalho que temos feito com muitos destes jogadores já não só este ano — trabalhámos sistemas alternativos — para se sentirem confortáveis. Isso depois passa por uma identidade e dinâmica que a equipa tem e que não muda”, explicou o treinador dos dragões, que mais à frente deixou subentendida uma crítica à forma como o futebol português está organizado, elogiando a maneira como a Federação grega dá prioridade à presença dos clubes nas competições europeias.

“Conhecendo o Pedro e as suas equipas, não vai mudar muito o que tem sido habitual. Para já, temos de olhar para o Olympiacos como uma equipa habituado a estes palcos. Ainda para mais, tem uma Federação que protege a sua participação na Europa. Ainda agora foi adiado o jogo com o PAOK. Tem de haver essa comunhão de ideias para que as equipas possam ter bons rendimentos europeus. É uma equipa mais fresca do que nós, é uma equipa experiente e bem orientada. Não tem derrotas, só tem um golo sofrido e é uma boa equipa. Ganhou ao Marselha que está num campeonato muito interessante como é o francês. Vamos ter dificuldades, o Olympiacos também”, acrescentou Sérgio Conceição, que esta terça-feira já contava com Otávio, o médio brasileiro que falhou as últimas três partidas por lesão.

Quem não regressava era Luis Díaz, que saiu na segunda parte da partida com o Manchester City com queixas físicas, falhou o encontro com o Gil Vicente no fim de semana e ainda não estava disponível para defrontar o Olympiacos. Assim, Sérgio Conceição alinhava com Fábio Vieira, Sérgio Oliveira e Uribe no meio-campo, Corona e Otávio no apoio a Marega e Zaidu e Manafá nas laterais da defesa. Do lado dos gregos, Pedro Martins lançava José Sá e Rúben Semedo no onze, enquanto que Rúben Vinagre, Bruma e Pêpê Rodrigues começavam no banco de suplentes.

Os primeiros minutos foram de estudo mútuo, ainda que o FC Porto tenha tido mais bola e estivesse a tentar atrair o Olympiacos para o meio-campo português, de forma a depois explorar as costas da defesa grega. O conjunto de Pedro Martins defendia com duas linhas de quatro elementos e Valbuena e El-Arabi numa fase mais adiantada, o que acabava por gorar as intenções dos dragões de alargar o jogo e apostar nos corredores. A primeira aproximação da equipa portuguesa à baliza de José Sá apareceu à passagem dos 10 minutos iniciais, por intermédio de Wilson Manafá, que entrou na grande área com a bola controlada e tentou cruzar atrasado mas viu a bola ser intercetada pela defesa do Olympiacos. O golo, porém, pouco ou nada tardaria.

Na primeira ocasião de golo digna desse nome de todo o jogo, Sérgio Oliveira aproveitou um passe errado do capitão Bouchalakis para aparecer quase sozinho na grande área. O médio tentou assistir Marega, Cissé aliviou para trás e Fábio Vieira, na recarga, rematou para abrir o marcador (11′). Aos 20 anos, o jovem médio estreou-se a marcar na Liga dos Campeões ao segundo jogo e tornou-se o quinto mais novo de sempre a fazê-lo pelo FC Porto. Os dragões ficaram perto de aumentar a vantagem logo depois, com um cabeceamento de Zaidu que passou ao lado (16′), mas a partir daí o jogo acabou por tombar para o meio-campo da equipa de Sérgio Conceição.

El-Arabi teve a primeira oportunidade do Olympiacos, com um cabeceamento à figura de Marchesín (20′), e o FC Porto ia respondendo com lances rápidos de contra-ataque: Marega permitiu uma antecipação de José Sá depois de um passe brilhante de Sérgio Oliveira (28′) e o mesmo Marega viu Rafinha roubar-lhe o cruzamento para o mesmo Sérgio Oliveira, depois de Fábio Vieira ter conduzido a transição veloz (33′). Antes do intervalo, Mbemba ainda evitou o empate de Valbuena com um corte decisivo à boca da baliza (40′) e o Olympiacos foi para o balneário na fase em que estava a viver o melhor momento do jogo, totalmente instalado no meio-campo adversário e a permitir poucos espaços aos dragões. O FC Porto, que era sempre mais perigoso quando se aproximava da baliza de José Sá do que o oponente, perdeu posse de bola e algum controlo na reta final do primeiro tempo e recebeu de braços abertos o intervalo, ciente de que estava a deixar de conseguir criar e construir.

Na segunda parte, nenhum dos treinadores fez qualquer alteração e depressa se percebeu que seria o Olympiacos a tomar as rédeas da partida para ir atrás do empate. Randjelovic ficou muito perto de marcar, com um remate de primeira que Marchesín intercetou com uma defesa enorme (52′), e Pedro Martins reagiu às boas indicações da equipa com a entrada de Fortounis. Sérgio Conceição respondeu, trocou Fábio Vieira por Nakajima mas o FC Porto continuava totalmente encaixado no próprio meio-campo, sem bola e sem capacidade para sair do sufoco imposto pelos gregos: que nesta altura levavam 65% da posse de bola e quatro remates praticamente consecutivos.

Com o objetivo de segurar a bola, Sérgio Conceição trocou Corona e Otávio por Grujic e Evanilson, atirando Marega para uma zona mais lateral e colocando o brasileiro como referência ofensiva. Pedro Martins apostou novamente no ataque com mais dois portugueses, Bruma e Rúben Vinagre, mas a verdade é que o FC Porto conseguiu sacudir ligeiramente a pressão nos últimos 20 minutos da partida — muito graças à segunda dupla substituição, que equilibrou a luta no meio-campo. Com a dinâmica do encontro mais partida e sem grande lógica tática, os dragões acabaram por conseguir ampliar a vantagem e fechar as contas, com Sérgio Oliveira a finalizar de cabeça um cruzamento de Marega, que foi lançado por Nakajima na direita (85′).

Até ao fim, Marchesín ainda segurou o resultado com uma enorme defesa a remate de Hassan (88′), Sérgio Oliveira saiu para a ovação dos mais de três mil adeptos que estiveram no Dragão e o FC Porto conquistou os primeiros três pontos na Liga dos Campeões, estando agora no segundo lugar do Grupo C, atrás do líder Manchester City. O médio internacional português, que na temporada passada assumiu um papel de liderança no meio-campo da equipa, voltou a colocar-se na dianteira do grupo de Sérgio Conceição, esteve na recuperação de bola que deu origem ao primeiro golo e marcou o segundo.