A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lançou uma nova campanha para alertar para os perigos de violação de privacidade e de se ser vítima de crime pelo uso da Internet.

“‘O que acontece na Internet não fica só na Internet’ é o mote da nova campanha de sensibilização da Associação Portuguesa de Apoio Vítima. ‘Data breaches’, ‘phishing’, burlas online, ‘grooming’, ‘sextortion’, ‘cyberbullying’ e crimes de ódio são os sete temas para os quais se pretende alertar, com o objetivo de prevenir a vitimação ‘online’ e promover a divulgação dos serviços de apoio da Linha Internet Segura (800 219 090)”, refere a APAV em comunicado.

A campanha assenta em sete cartazes, cada um a alertar para um tipo de crime possível “online”, e com uma mensagem comum: “O que acontece na Internet não fica só na Internet. Um ‘link’ pode destruir a tua vida e passar do digital para o real”.

Criada no âmbito do projeto ROAR: Empoderamento às vítimas de cibercrime, cofinanciado com fundos comunitários, a campanha da APAV conta entre os seus parceiros nacionais com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), entre outros.

A Linha Internet Segura registou em 2019 um total de 701 denúncias relacionadas com a deteção de conteúdos de pornografia infantil e discriminação racial, segundo dados da APAV.

Coordenada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a Linha Internet Segura é um serviço de atendimento gratuito e confidencial criado com o objetivo de prestar apoio às vítimas de cibercrime, aconselhar na adoção de comportamento seguros no uso da internet e permitir a denúncia de conteúdos ilegais ‘online’.

Um barómetro sobre as perceções dos portugueses sobre cibersegurança, divulgado pela APAV em abril, revela que 80% dos inquiridos não confiam no Estado para garantir a privacidade dos seus dados pessoais e a maioria crê num risco crescente de ser vítima de cibercrime.

O barómetro foi elaborado com base num questionário online a 591 pessoas entre 27 de fevereiro e 8 de março e mostra que a maioria dos inquiridos está sempre ligada à Internet, seja em casa, no trabalho, ou até na rua, pelo uso de “smartphones”, com a consulta de “emails”, o acesso às redes sociais e a leitura de notícias a serem as atividades predominantes. Entre os inquiridos, 80% “receia que a confidencialidade da sua informação pessoal não esteja a ser assegurada pela Administração Pública” e 90% tem esse receio em relação a “websites”, de forma geral.

A quase totalidade dos inquiridos acredita que o risco de ser vítima de cibercrime está a aumentar e evita fornecer informação pessoal “online”. Um quarto dos inquiridos não se sente capaz de se proteger de ataques e ameaças de cibercrime, como seja proteger o computador com a instalação de um antivírus. Ataques de “software” malicioso, roubo de identidade, acesso indevido a contas nas redes sociais ou ’email’ e burla estão entre as principais preocupações.

Sobre a perceção do que pode ser considerado cibercrime, a pornografia “online” encabeça a lista, com 84% dos inquiridos a manifestarem esse entendimento, seguindo-se roubo de identidade e divulgação “online” sem consentimento de vídeos e fotos íntimas. 12% considera o discurso de ódio ou o incitamento ao ódio um cibercrime de menor importância.