O número diário de deslocados que chegaram, nesta semana, à praia de Paquitequete, em Pemba, fugindo da violência armada, baixou para metade, disseram esta quarta-feira à Lusa fontes locais.

De cerca de 1.000 pessoas deslocadas que chegavam de barco à Praia de Paquitequete por dia, o número reduziu para menos de 500 desde segunda-feira, disse Abudo Manana, ativista da associação Kuendeleya, uma das entidades a improvisar ajuda humanitária de urgência.

“Neste momento os barcos carregam mais bens porque já não existe ninguém naquelas aldeias”, e além disso, “a população relata que as incursões dos terroristas também se reduziram“, referiu.

Segundo Abudo Manana, o número de barcos que chegam à praia continua a rondar entre os cinco e os 20, transportando maioritariamente crianças e mulheres, que chegam com fome e desidratados à capital provincial. “Entre as 374 pessoas que chegaram ontem [terça-feira], por exemplo, 12 eram doentes graves, com diarreia, vómitos e malária”, acrescentou Abudo, referindo que por dia são distribuídas, em média, “mais de 3.000 refeições só no almoço”.

“Hoje o dia está calmo, até agora chegaram quatro embarcações com aproximadamente 350 pessoas”, contou à Lusa a ativista social do Movimento Ativista Moçambique (MAM), Hadassa Nazaré, enquanto distribuía comida aos deslocados na praia de Paquitequete.

A nova vaga de cerca de 10.000 deslocados, que viajam em barcos precários à Pemba, foi desencadeada em 16 de outubro, após novos ataques de rebeldes armados no norte da província de Cabo Delgado.

Na terça-feira, o município de Pemba disse que já não havia espaço para acolher mais deslocados de guerra no norte de Moçambique. De acordo com o autarca, Florete Simba Motarua, “a cidade de Pemba tinha mais de 204 mil habitantes, segundo o último censo geral da população”, em 2017, “mas neste momento há mais de 300.000”.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas. Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de mil a 2.000 vítimas.