Tem sido recorrente: desde que outubro começou, com 854 novos casos de infeção, que os números divulgados diariamente pela Direção-Geral de Saúde não têm parado de se avolumar, com quebras sucessivas de máximos diários que entretanto fizeram com que aquele que durante meses conhecemos como o dia mais pesado da pandemia — 1.516 novos infetados a 10 de abril — deixasse sequer de pertencer ao top dos piores.

Esta quinta-feira, tal como tinha acontecido de resto 24 horas antes, o boletim da DGS voltou a trazer novo máximo — sendo que desta vez quebrou (mais) uma barreira, a dos 4 milhares de infetados num único dia.

No total, foram 4.224 os testes com resultado positivo, mais 264 do que no dia anterior, o que equivale a um aumento de 8% — e faz com que, a dois dias do fim, outubro some já 57.074 novos infetados, de um total de 132.616 casos confirmados desde março.

Depois de nos meses de verão a maior parte dos novos infetados se ter concentrado na região de Lisboa e Vale do Tejo, com medidas restritivas impostas à medida em vários concelhos, o outono voltou a colocar o Norte no centro da pandemia. E esta quinta-feira não foi diferente e confirmou a tendência: mais de metade dos novos casos confirmados esta quinta-feira — 58,6% — foram registados na região Norte. 26% das infeções foram confirmadas na região de Lisboa e Vale do Tejo, e 12,4% na região Centro; com o resto do País a somar, também como tem sido habitual ao longo dos últimos meses, números residuais de novas infeções — no Alentejo, nas últimas 24 horas, houve 50 novos infetados, no Algarve 63, na Madeira 6 e nos Açores 5.

Internamentos e mortes de regresso a abril

Tal como aconteceu com este ressurgimento de novos casos de infeção a norte, também os números relativos às mortes e internamentos começam a aproximar-se dos máximos medidos em abril que, pelo menos por estes parâmetros, ainda se mantém o pico da pandemia.

Em número de óbitos, o dia 3 de abril é o que tem a contagem mais pesada desde março: 37. Aliás, todo o mês de abril foi o mais mortífero, com vários dias acima das três dezenas de mortes.

O passado 23 de outubro foi o primeiro dia, nos últimos quase seis meses, em que se registaram mais de 30 mortes em Portugal — 31. Esta quinta-feira, esse valor voltou a subir: nas últimas 24 horas morreram mais 33 pessoas com problemas associados à Covid-19. Só houve sete dias, ao longo de toda a pandemia, com mais óbitos contabilizados. No total, já morreram 2.428 pessoas, 1.242 homens e 1.186 mulheres.

O que nos leva aos internamentos: com mais 40 internamentos nas últimas 24 horas, 7 deles em unidades de cuidados intensivos,há neste momento em Portugal 1.834 pessoas hospitalizadas, 269 delas em unidades de cuidados intensivos. Desde que a pandemia começou, em março, só houve dois dias piores do que este, no que aos internamentos em UCI diz respeito — sem surpresas, ambos em abril e com valores muito próximos: a 6 desse mês havia 271 infetados com o novo coronavírus a receber cuidados especializados em UCI, um dia mais tarde seria contabilizado um paciente a menos, 270.

30 de 33 mortes em pacientes acima dos 70 anos

De entre o total de 33 óbitos registados nas últimas 24 horas por causa da Covid-19, só duas pessoas tinham entre 60 e 69 anos e uma entre 50 e 59 anos — as restantes tinham todas mais de 70, 21 tinham mais de 80.

Neste momento são 54.486 os casos ativos de infeção pelo novo coronavírus em Portugal — mais 2.490 do que esta quarta-feira.

De um total de 132.616 casos confirmados desde o início da pandemia, 75.702 pessoas já recuperaram — 1.701 nas últimas 24 horas.