O secretário regional da Saúde da Madeira, Pedro Ramos, admitiu esta quinta-feira que a situação da pandemia da Covid-19 provocou “alguns constrangimentos” na prestação de serviços de saúde na região. O recurso aos serviços de urgência diminuiu cerca de 46% durante o estado de emergência que se prolongou durante 45 dias, disse o responsável.

O governante falava à margem da cerimónia comemorativa do Dia Mundial do Doente com Acidente Vascular Cerebral (AVC), que decorreu na reitoria da Universidade da Madeira.

Pedro Ramos admitiu que alguns “sintomas não foram valorizados” porque as pessoas não sabiam o grau de segurança que as unidades de saúde estavam a transmitir, podendo “ter havido alguns atrasos no diagnóstico”. No entanto, quando ocorreu a reorganização dos serviços de saúde na Madeira, foram feitos esforços para “minimizar” o problema, com recursos a consultas não presenciais, por telefone, e prescrição de medicamentos via online.

Sobre a reunião desta quinta-feira relacionada com os Acidentes Vasculares Cerebrais, o governante diz ser prova de que “o Serviço Regional de Saúde (SESARAM) não tem estado parado”. A unidade de AVC na Madeira, esclareceu, “é recente, sendo composta por quatro médicos e 14 enfermeiros” e tem vindo a crescer, “tal como o SESARAM se tem vindo a desenvolver”. O responsável lembrou que foi criada, em 2008, a Via Verde do AVC, que tem tratado muitos doentes e conseguiu “reduzir os internamento que eram 1200 para 900 e, entre 2018-2020, está nos 800 doentes”.

“Cerca de 30 a 40% conseguem ser tratados porque estão dentro daquela janela terapêutica por esta unidade AVC”, sublinhou, destacando que é feito um trabalho em colaboração com “todas as especialidade dentro do hospital do Funchal”.

Esta unidade consegue tratar dois tipos de situação, não só AVC isquémico, em que temos de retirar um coágulo que obstruiu a artéria, mas também o hemorrágico, quando o sangue sai pela fraqueza da artéria”, explicou.

Pedro Ramos apontou que o objetivo é que “os cidadãos tenham melhores métodos saudáveis de vida”, passando pela redução do peso, atividade física, melhor controlo de diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca, alimentação saudável para que “estes fenómenos tendam a diminuir”.

“A morbilidade e mortalidade ainda são elevadas, mas com estas unidades e possibilidades de serem tratados na região começámos a diminuir os internamentos e os eventos”, realçou.