Os dirigentes da União Europeia condenaram na quinta-feira as provocações e a retórica “totalmente inaceitável” de Ancara, mas não decidiram qualquer medida antes da sua cimeira em dezembro, anunciou o presidente do Conselho Europeu.

Charles Michel fez o anúncio depois de uma cimeira europeia, através de videoconferência.

A França quer que a União Europeia sancione os ataques do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra o homólogo francês, Emmanuel Macron, acusado de “islamofobia” por ter defendido o direito de caricaturar o profeta Maomé, durante uma homenagem a um professor francês decapitado por ter mostrado as caricaturas em aula.

“Condenamos as recentes ações unilaterais (da Turquia) no Mediterrâneo Oriental, as provocações e a retórica, que são totalmente inaceitáveis”, declarou Charles Michel, durante uma breve intervenção no fim da conferência de imprensa consagrada à apresentação das medidas europeias de luta contra a propagação da pandemia.

Durante uma cimeira europeia no início de outubro, a UE decidiu “trabalhar sobre duas pistas: uma positiva e uma menos positiva… até agora, a Turquia não escolheu a vida positiva. Vamos ter a possibilidade de regressar ao assunto em dezembro”, concluiu.

As relações entre a Turquia e a França têm-se degradado progressivamente desde 2019, devido em particular a desacordos sobre a Síria, a Líbia e o Mediterrâneo Oriental.

As tensões da Turquia são também muito fortes com a Grécia e o Chipre, por causa de disputas sobre fronteiras marítimas em zonas ricas em campos gasíferos, no Mediterrâneo Oriental.

A UE adotou uma dupla abordagem em relação a Ancara: comprometeu-se a melhorar algumas cooperações e a relançar a união aduaneira, com a condição de a Turquia cessar as suas perfurações ilegais nas águas de Chipre e confirmar a sua vontade de dialogar com Atenas.

“Se Ancara prosseguir as suas ações ilegais, utilizaremos todos os instrumentos à nossa disposição”, já tinha avisado a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O executivo europeu tinha sido encarregado de elaborar sanções económicas e estas estão prontas e ser “utilizadas imediatamente”, como também tinha avançado.

Os dirigentes da UE vão examinar “antes do final do ano se houve desenvolvimentos positivos”, tinha dito Charles Michel, já durante este mês.

Mas a Alemanha, que está a fazer uma mediação com o presidente turco, considera inoportuna a tomada de decisões neste momento sobre sanções, pelo que está a bloquear a satisfação dos pedidos neste sentido de outros Estados europeus, disseram à AFP várias fontes europeias.