Nunca o número de doentes internados em simultâneo em unidades de cuidados intensivos (UCI) em Portugal tinha sido tão alto.

Esse é um dos dados trazidos por mais um boletim diário da Direção-Geral da Saúde, revelado este sábado. À meia-noite de este sábado, o número de internados nestas unidades hospitalares — dedicadas a tratar doentes graves — era 286, o mais elevado de sempre à mesma hora de referência, 0h. Em hospitais portugueses estão agora internados quase dois mil (1.972) doentes com Covid-19.

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Os números surgem refletidos num boletim da DGS que indica que, ao longo das 24 horas de esta sexta-feira, as autoridades de saúde detetaram em Portugal mais 4.007 casos de infeção com o novo coronavírus. É o terceiro dia com mais casos desde a chegada da Covid-19 a Portugal. No mesmo período morreram no país 39 pessoas infetadas com o SARS-CoV-2, o novo tipo de coronavírus.

Também é o terceiro dia consecutivo em que o número de casos de infeção detetados pelas autoridades supera o marco dos 4.000 — e o quarto dia consecutivo em que o número de casos em 24h é superior a 3.900. E dos 20 dias com mais casos confirmados de Covid-19 em Portugal em 24 horas, 19 foram neste mês.

Há, porém, notícias mais animadoras. Uma é que o ritmo de aumento do número de contágios parece estar a começar a desacelerar: face ao mesmo dia da semana anterior, o aumento do número de casos confirmados é inferior a 400 (subiu de 3.669 para 4.007). Outra boa notícia é o aumento do número de doentes dados como clinicamente recuperados nas últimas 24 horas. Ao longo de sexta-feira, foram dados como recuperados 2.831: um número sem par na evolução da pandemia neste período temporal, excluindo-se um acerto com acumulado de vários dias.

Menos contactos em vigilância. Norte e Lisboa concentram 82% dos casos

Outro dado plasmado no boletim divulgado este sábado pela Direção-Geral da Saúde que surpreende é a variação no número de pessoas sinalizadas como tendo contactado com infetados, estando por isso “em vigilância” pelas autoridades de saúde. Ao longo das 24 horas de sexta-feira, entre novos contactos de infetados e contactos que deixaram de estar sinalizados há uma variação de -791.

Relativamente à distribuição geográfica de novos casos, a região Norte continua a ser — tal como nos dias anteriores — aquela em que se verifica um aumento mais significativo de infetados com SARS-CoV-2, em termos absolutos: há registo de mais 1.900 casos oficialmente confirmados. A concentração de novos casos na região Norte foi de 47% da totalidade dos casos do país.

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Segue-se como região com mais casos Lisboa e Vale do Tejo, onde foram detetados 1.406 novos casos: 35% da totalidade dos novos casos do país. Juntos, Lisboa e Vale do Tejo e Norte concentraram 82% dos casos novos (mais de oito em cada dez) detetados no país.

Se a concentração de casos em Lisboa e Vale do Tejo, 35% do total, é condizente com o número habitantes da região (aproximadamente 34% da população nacional), a concentração de casos na região Norte, 47%, é muito superior ao que seria expectável face ao número de habitantes (concentra quase 35% da população nacional).

Na região Centro foram identificados mais 552 casos de infeção, na região Sul e no Alentejo respetivamente mais 80 e 61 casos, na região Madeira mais cinco e nos Açores mais três.