Culpa da aceleração da pandemia, das dificuldades em aprovar o Orçamento do Estado, de propostas como a da obrigatoriedade da app StayAway Covid (com recuo logo de seguida) ou das acusações de incoerência nas medidas adotadas para travar ajuntamentos e conter a Covid-19. Os motivos podem ser muitos, o resultado não é bom: o Governo e o primeiro-ministro, António Costa, estão com a popularidade em queda. No último barómetro político da Aximage para o JN e a TSF, revelado este sábado, a queda do PM e do Governo é de três pontos percentuais face a setembro e de 12 pontos percentuais face a julho.

Mais do que as negociações tensas com os parceiros da esquerda para o Orçamento do Estado de 2021, é provável que seja a resposta à pandemia a justificar a queda da popularidade de Governo e primeiro-ministro. Isto porque tal como Governo e PM, também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “acusa algum desgaste, ainda que esteja num patamar claramente superior, com 60% de avaliações positivas”, escreve o JN.

Outro dado curioso do barómetro da Aximage é que quer Costa quer Marcelo têm a maior falange de apoiantes entre o eleitorado tradicional do PS (85% aprovam Costa, 84% aprovam Marcelo), registo que poderá contribuir para a discussão dos socialistas em torno de um apoio ou não a Ana Gomes nas presidenciais. A popularidade de Marcelo junto de eleitores que votam PSD é muito maior do que a de Costa (42% para Marcelo, 7% para Costa) mas é muito inferior à que tem junto de eleitores da força política que nunca liderou e de que nunca foi militante, o Partido Socialista.

A vasta maioria (70%, sete em cada dez inquiridos) pede a Marcelo que seja mais vigilante face ao Governo, o PR é muito mais consensual do que o primeiro-ministro mas é a oposição que leva nota mais negativa: 38% dos inquiridos mostraram-se insatisfeitos com a oposição e apenas 27% dão nota positiva. Face a setembro há uma melhoria na forma como a oposição é vista, mas que não acompanha proporcionalmente e na mesma medida o desgaste do Governo com a pandemia e com a tensão à esquerda.