Os desportivos, por muito potentes e exclusivos que sejam, têm de garantir a segurança de quem vai lá dentro e respeitar normas muito similares às dos veículos mais populares e acessíveis. Isto se pretendem ser comercializados sem restrições por esse mundo fora. Daí que a Rimac, que fabrica o mais possante dos hiperdesportivos eléctricos, com 1914 cv, capaz de atingir 412 km/h e os 100 km/h em 1,97 segundos, tivesse igualmente de destruir dois C_Two em crash-tests destinados a confirmar que os esforços a que submete os ocupantes, em caso de embate, não os colocam em risco.

Segundo a Rimac, para que o C_Two possa ser comercializado em todos os mercados, é necessário que o seu desempenho nos crash-tests de homologação seja aprovado, o que implica a destruição de duas unidades de produção corrente, no valor de 2,2 milhões de euros cada. O teste tarda segundos, mas para a Rimac representa 4,4 milhões de euros.

As diferenças na deformação do C_Two a 40 km/h e a 56 km/h são evidentes

Este esforço financeiro é ainda mais evidente se tivermos em conta que a Rimac vai apenas produzir 150 unidades do C_Two. Ainda assim, não é aceitável que um cliente na disposição de pagar mais de 2 milhões por um veículo não usufrua, em caso de embate, pelo menos da mesma protecção proporcionada por um automóvel de 20 mil euros.

Para provar o trabalho realizado, que passou pela destruição de 11 protótipos nos crash-tests iniciais, com o objectivo de recolher dados para alimentar o simulador, a Rimac divulgou um vídeo dos testes realizados. Primeiro um crash-test a 40 km/h contra uma barreira deformável com um offset de 40% (em que apenas 40% da zona frontal tem de absorver a energia do impacto), que o hiperdesportivo ultrapassa sem problema.

O crash-test seguinte, com o segundo C_Two, realiza-se nas mesmas condições, mas a 56 km/h, o que pode parecer uma diferença mínima, não fosse a energia a dissipar depender do quadrado da velocidade. Segundo é anunciado, o modelo continua a não submeter os ocupantes a desacelerações violentas, que possam colocar em perigo a segurança dos ocupantes, sendo de recordar que o Euro NCAP  submete os veículos convencionais a embates a 64 km/h.

Os crash-tests realizados pela Rimac revelam ainda que não há intrusões no habitáculo, ao nível do volante, pedais, tablier ou pilares, que possam ferir quem vai a bordo, com o construtor a anunciar que “os dados confirmam que o risco de ferimentos para os ocupantes é muito reduzido”. Veja aqui o vídeo dos dois crash-tests: