O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Luís Castro Henriques, disse à Lusa que o interesse de investidores norte-americanos em Portugal cresceu, sobretudo, nos últimos dois anos.

“Tem havido interesse e tem havido maior angariação de projetos novos de natureza exportadora“, afirmou o responsável, que vê a relação entre Portugal e os Estados Unidos de forma “positiva”.

Os projetos de investimento norte-americano em Portugal entre 2014 e 2019 ultrapassaram os 1.100 milhões de dólares (cerca de 991 milhões de euros) e criaram 6.806 postos de trabalho, segundo o Barómetro das Empresas Americanas em Portugal.

Luís Castro Henriques destacou a “evolução rápida nestes últimos dois anos e crescente, sobretudo a nível de investimento em software e serviços”.

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Aqui, “a nota primordial é que estamos numa rota de crescimento [do investimento proveniente dos EUA] e espero que se consiga manter”, salientou, sublinhando que Portugal tem um “fator competitivo chave” para as empresas daquele setor, que é o talento, a que acresce a capacidade de falar “várias línguas com várias geografias”.

A maior parte destas empresas de software e serviços são multinacionais e operam de forma global.

Temos a combinação certa de talento para muitas destas empresas que estão a crescer de forma clara e notória pelo mundo fora”, referiu o presidente da AICEP.

O responsável sublinhou que o interesse das empresas passa também por ter Portugal como base para servir outros países, o que “comprova o fator de competitividade que é o talento” português.

“Cabe-nos a nós, AICEP, não só manter essa tendência de crescimento como aumentar a notoriedade sobre este fator de competitividade, nomeadamente através de casos de sucesso para continuar” a auemntar a vinda de empresas americanas, disse.

Hoje em dia, sobretudo empresas de software, inclusive até muitas da costa oeste — não são só da costa leste —, começam a olhar para Portugal como um hub de talento que podem utilizar para prestar serviços numa base mais alargada do que o próprio mercado português”, rematou.

Entre 2014 e 2019 foram realizados 48 projetos de investimento americano em Portugal, correspondendo a 1.176 milhões de dólares (cerca de 991 milhões de euros), ou seja, cerca de 4% do investimento total realizado no país, segundo o barómetro da AmCham (Câmara de Comércio Americana em Portugal).

O setor das tecnologias foi aquele onde se verificaram mais investimentos de origem americana (29,7%), seguida das comunicações.

Em termos de relações comerciais, entre janeiro e agosto, Portugal exportou 1.748 milhões de euros para os Estados Unidos, um decréscimo de 14,8% em termos homólogos, e importou 743,9 milhões de euros (menos 26,1%), o que representava um saldo da balança comercial positivo para Lisboa em cerca de mil milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Atualmente, os Estados Unidos são o quinto cliente de Portugal e o seu 11.º fornecedor. Por sua vez, Portugal é o 66.º cliente dos Estados Unidos e o 56.º fornecedor. No ano passado, havia 3.663 empresas portuguesas a exportar para os Estados Unidos, mais 314 que em 2018.

As exportações de bens e serviços para Washington caíram 30% para 2.647 milhões de euros até agosto, em termos homólgos, e as importações desceram 27% para 1.211 milhões de euros no período em análise, o que representa um saldo da balança comercial positivo em 1.436 milhões de euros para Lisboa.

Nos primeiros oito meses do ano, as receitas de turistas norte-americanos em Portugal ascenderam a 241,2 milhões de euros até agosto, menos 73% que em igual período de 2019, segundo dados do Banco de Portugal.

No que respeita ao investimento direto, o stock de investimento direto dos EUA em Portugal no final de 2019 ascendia a 1.938,3 milhões de euros, de acordo com o barómetro da AmCham (Câmara de Comércio Americana em Portugal).

Tal representava “1,3% do IDE [Investimendo Direto Estrangeiro]” em Portugal, salienta o barómetro, que aponta que no primeiro trimestre deste ano “atingiu os 1.956 milhões de euros (1,4% do total)”.

Em entrevista à Lusa no início de outubro, o subsecretário de Estado norte-americano Keith Krach considerou que “Portugal tem sido um grande parceiro, amigo, aliado”.

Como “ex-CEO global fiz ótimo negócio no país. Portanto, é fácil fazer negócios com Portugal e o que eu sei é que quando se faz negócio com um empresário português, é integridade. Essas foram minhas experiências. Não tive mais do que ótimas experiências”, disse, admitindo a possibilidade de investimentos no país.