A 25 de outubro de 2015, Jorge Jesus enfrentava uma das piores reações que o novo Estádio da Luz já tinha vivido. Choveram cartolinas enroladas, ouviram-se insultos, multiplicaram-se assobios. O técnico tornara-se na figura de Judas para os adeptos encarnados após trocar o clube pelo grande rival lisboeta mas, depois da vitória na Supertaça que abriu a temporada, saiu do recinto adversário com um triunfo por 3-0 construído na meia hora inicial por Teo Gutiérrez, Slimani e Bryan Ruíz. A época começou bem para o Sporting e acabou bem para o Benfica, que a partir daí chegou ao tetra enquanto o técnico, na época em que o FC Porto evitou o quinto título seguido para as águias, saiu de Alvalade, passou pela Arábia Saudita, conquistou tudo pelo Flamengo e voltou aos encarnados. Agora, cinco anos e uma semana depois, voltou a ver o Benfica perder com uma “chapa 3” mas no próprio banco.

E tudo o filho do Gil mudou. Perdão, Angel Gomes (a crónica do Boavista-Benfica)

Apenas pela oitava vez este século, os encarnados sofreram uma derrota por três ou mais golos no Campeonato, algo que, fora, não acontecia há dez anos quando o FC Porto de André Villas-Boas, em 2010/11, goleou por 5-0 o Benfica… de Jesus (um jogo ainda hoje recordado pela colocação de David Luiz como falso defesa esquerdo com a intenção de travar um super Hulk que se juntava a Falcao e James Rodríguez). E cedo se começou a perceber que esta seria uma noite complicada para as águias, que pela primeira vez nos últimos três anos consentiram 11 remates ao adversário só até ao intervalo. No total, e em nove jogos oficiais, o Benfica já consentiu dez golos, o pior registo desde 2013/14 em mais um dado negativo numa noite com poucas ou nenhumas razões para recordar.

“Não fomos uma equipa bem organizada defensivamente e o jogo na primeira parte teve muitas faltas. O Boavista matava o jogo constantemente com faltas, fez um total de 31, e também houve alguns jogadores do Benfica a falhar muitos passes, o que não é normal. Depois, como não fomos organizados defensivamente… Chegámos ao intervalo carregados em termos emocionais, porque ainda não tínhamos chegado ao intervalo a perder esta época, e as substituições também não melhoraram a equipa. Hoje sentiu-se falta de velocidade da dupla de centrais. O Benfica perdendo não interessa se foi 1-0 ou 3-0, é sempre resultado negativo. Apanhámos um Boavista que soube jogar com a nossa falta de qualidade no passe e com muitas faltas, o árbitro deixou que o jogo se prolongasse com eles a fazerem 31 faltas”, começou por comentar Jorge Jesus na zona de entrevistas rápidas.

“Três centrais? Foi a primeira vez que usaram mas calculei que fossem jogar assim, todos têm jogado assim em 5x4x1 contra nós, até gostamos. Não fomos uma equipa fresca e notou-se alguma falta de velocidade. Não fomos a equipa organizada quando perdia a bola e normalmente não perdemos tantas bolas ao sair para o ataque. Pensava que na segunda parte as mudanças iam melhorar mas não conseguimos entrar no jogo. Tivemos chances mas houve mérito do keeper do Boavista. Foi uma noite não muito bem conseguida por vários fatores: não tivemos a equipa organizada defensivamente, não estivemos frescos, devia ter mexido mais na equipa porque só houve dois novos e notou-se falta de velocidade”, acrescentou Jorge Jesus à SportTV.

A finalizar, e acreditando que o desaire não deixará marcas, o treinador comentou também uma notícia da ESPN que dava conta do interesse do Barcelona em Darwin Núñez. “Ninguém gosta de perder mas as grandes equipas quando não ganham têm de saber dar a volta. Perdemos um jogo após sete vitórias seguidas. Já há jogo quinta-feira e não há tempo para recuperar sequer. Vamos ter de mexer mais na equipa. Darwin? Não vale a pena falar nisso, podem ser só notícias desportivas. Não comento essas coisas, estava mais interessado em comentar a vitória do Benfica do que o Darwin…”, concluiu o treinador dos encarnados, projetando também o próximo encontro na Liga Europa frente ao Rangers antes de nova receção para o Campeonato na Luz ao Sp. Braga.